Ajuda de 200 euros por mês por filho: quem poderia recebê-la e o que falta para que seja realidade

Juventude e Infância enviou ao Tesouro uma proposta formal para incluir nos próximos Orçamentos uma prestação universal de 200 euros mensais por cada menor de 18 anos. A ministra Sira Rego defende que chegue a todas as famílias independentemente de seus rendimentos, embora admita uma implementação gradual por idades. A ajuda ainda não está aprovada, não pode ser solicitada e necessita de financiamento, desenvolvimento normativo e apoio parlamentar para se tornar um direito efetivo.

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A ajuda de 200 euros por mês por filho volta a entrar na negociação orçamentária, desta vez com um passo mais concreto. A ministra da Juventude e Infância, Sira Rego, enviou formalmente ao Ministério da Fazenda uma proposta para incorporar aos próximos Orçamentos Gerais do Estado uma Prestação Universal por Criação de 200 euros mensais por cada filho ou filha menor de 18 anos.

A medida já faz parte das reivindicações de Sumar e do próprio Ministério há algum tempo, mas até hoje não existe uma ajuda universal de 200 euros aprovada nem um prazo aberto para solicitá-la. O Conselho de Ministros incluiu em fevereiro a criação progressiva de uma prestação universal por criação entre os objetivos da Estratégia de Desenvolvimento Sustentável 2030, mas essa inclusão fixa uma orientação política e não cria por si mesma o direito a recebê-la.

Quem poderia receber os 200 euros

Se finalmente for aprovada nos termos defendidos por Rego, a prestação estaria direcionada a todas as famílias com filhos menores de 18 anos, sem depender de sua renda. A ministra explicou que seu modelo preferido é universal: ter um filho menor seria o requisito fundamental e a redistribuição entre lares com diferentes rendas seria realizada posteriormente através do sistema fiscal.

Isso significaria 2.400 euros por ano por cada filho. Uma família com dois menores receberia 400 euros mensais, 4.800 euros por ano, enquanto que com três filhos menores a quantia alcançaria os 600 euros mensais ou 7.200 anuais, desde que o desenho definitivo mantivesse os 200 euros por cada menor e não introduzisse limites adicionais.

Juventude e Infância abriu, no entanto, a porta para que o desdobramento não ocorra de uma só vez. Rego sugeriu que possa ser introduzido "de forma gradual" por faixas etárias, de modo que determinados menores comecem a se beneficiar antes e a cobertura se amplie posteriormente até alcançar toda a população de 0 a 17 anos.

Não é a mesma ajuda que já paga a Segurança Social

A proposta também não deve ser confundida com o Complemento de Ajuda para a Infância (CAPI), que já existe atualmente e faz parte do sistema do Rendimento Mínimo Vital. Este complemento pode ser recebido mesmo sem perceber o IMV completo, mas está condicionado a determinados limites de renda, patrimônio e composição da unidade familiar.

Em 2026, o CAPI paga 115 euros mensais por cada menor de três anos, 80,50 euros entre os três e os cinco anos e 57,50 euros desde os seis até os 17 anos. A futura prestação de 200 euros seria distinta precisamente porque o planteamento do Ministério é que tenha caráter universal e não fique reservada unicamente aos lares que cumprem determinados requisitos econômicos.

O que falta para que possa ser cobrado

O principal obstáculo é agora orçamentário e político. Juventude e Infância enviou sua proposta à Fazenda, mas isso não significa que o Ministério dirigido por María Jesús Montero tenha aceitado ainda financiá-la nos termos solicitados. A medida teria que ser incorporada ao projeto orçamentário ou encontrar outra via de financiamento e, além disso, concretizar-se juridicamente: quem teria direito, desde que data, como se solicitariam ou reconheceriam, que organismo a gerenciaria e como se relacionaria com as ajudas e deduções já existentes.

Depois teria que superar a tramitação dentro do Governo e, caso fosse incluída nos Orçamentos, obter os apoios necessários nas Cortes Gerais. Portanto, ainda não existe uma data oficial para começar a pagar os 200 euros, nem um formulário de solicitação nem um procedimento habilitado.

A dificuldade não é menor pelo volume de recursos necessário. Um estudo do ISEAK calculou que uma prestação completamente universal de 200 euros por mês por menor poderia alcançar um custo bruto próximo a 19.276 milhões de euros anuais, embora essa estimativa corresponda a um modelo concreto e o custo final dependeria de como se desenhe a medida, de sua implantação gradual e de se substitui ou convive com benefícios fiscais existentes.

Mais de meio milhão de crianças poderiam sair da pobreza

O argumento central de Juventude e Infância é combater uma das taxas de pobreza infantil mais altas da Europa. Rego sustenta que aproximadamente um em cada três crianças e adolescentes na Espanha está em risco de pobreza ou exclusão social e defende que as ajudas universais reduzem além disso os problemas de acesso que costumam apresentar as prestações dirigidas exclusivamente a lares de rendas baixas.

Um estudo apresentado pela UNICEF calcula que um benefício de 200 euros mensais poderia reduzir a pobreza infantil em 7,1 pontos percentuais e tirar dessa situação cerca de 530.000 menores. A organização defendeu as transferências diretas para as famílias como uma das ferramentas com maior impacto para diminuir a pobreza infantil.

A proposta conta ainda com um respaldo político prévio dentro do Executivo: a Estratégia de Desenvolvimento Sustentável incorporou em fevereiro o objetivo de avançar em direção a um benefício para o 100% das famílias com menores a cargo, com uma aplicação progressiva. Mas ainda existe uma diferença fundamental entre esse compromisso e um benefício efetivo: o auxílio de 200 euros continua sendo uma proposta e não um direito reconhecido no BOE.

Assim, por enquanto nenhuma família deve realizar trâmites para pedi-lo. O próximo passo decisivo será verificar se a Fazenda aceita incluí-lo nos próximos Orçamentos, com que quantia e calendário e se o Governo consegue depois os apoios parlamentares necessários. Somente então poderá saber-se quando começariam os pagamentos e se os 200 euros chegarão desde o início a todos os menores ou serão implementados primeiro para determinados grupos de idade.