Digi Spain Telecom, a filial espanhola do grupo Digi, concluiu nesta sexta-feira sua segunda sessão na Bolsa com um avanço de 4,85%, situando o preço de suas ações em 5,40 euros por ação.
Com esse aumento, seu valor de mercado está em torno de 1.602,7 milhões de euros, o que lhe permite recuperar parte do terreno perdido em sua estreia no dia anterior no parque espanhol.
Em sua estreia nesta quinta-feira na Bolsa de Madrid, as ações da operadora fecharam com uma queda de 8,04%, fixando-se em 5,15 euros por ação, abaixo do preço de colocação de 5,6 euros.
A primeira referência no mercado ocorreu com um cruzamento inicial em 6 euros, 7,1% acima do valor fixado para a oferta, o que implicava então uma capitalização de 1.528,5 milhões de euros.
Apesar do rebote desta sexta-feira até os 5,4 euros, as ações continuam cotando aproximadamente 3,6% abaixo do preço de saída de 5,6 euros por título.
A operação de saída à Bolsa, cujo folheto foi registrado e aprovado pela Comissão Nacional do Mercado de Valores (CNMV), representou uma capitalização inicial próxima a 1.662 milhões de euros ao preço fixado para a oferta.
Com esta estreia bursátil, a Digi inicia uma nova fase para o projeto industrial que lançou na Espanha em 2008 e que lhe permitiu consolidar-se como um dos operadores com maior ritmo de crescimento do mercado nacional.
A colocação foi direcionada exclusivamente a investidores qualificados e combinou uma ampliação de capital de cerca de 150 milhões de euros (26,8 milhões de ações de nova emissão) com uma oferta secundária de aproximadamente 137 milhões (24,5 milhões de títulos nas mãos da Digi Romania), de modo que o tamanho inicial da operação ascendeu a cerca de 287 milhões de euros.
Os recursos captados por meio da ampliação, cerca de 134 milhões de euros líquidos, serão destinados principalmente a acelerar a implantação de sua própria rede de fibra óptica e telefonia móvel no território espanhol.
Após a colocação, o Grupo Digi conserva aproximadamente 80% do capital social, mantendo assim o controle da companhia.
Adicionalmente, a Digi Romania concedeu uma opção de sobreadjudicação ('greenshoe') ao Barclays Bank Ireland PLC, entidade encarregada da estabilização, por até 7,695 milhões de ações adicionais, equivalentes a 15% da oferta inicial, o que poderia aumentar o valor total da operação para cerca de 330 milhões de euros.
As ações ordinárias da companhia foram admitidas à negociação nas Bolsas de Madrid, Barcelona, Bilbao e Valência, e são negociadas através do Sistema de Interconexão Bursátil (Mercado Contínuo) sob o símbolo 'Digis'.
Após a conclusão nesta quarta-feira da adjudicação dos títulos, a sessão de quinta-feira marcou o início oficial da negociação e do período de estabilização, que poderá se prolongar, no máximo, até 15 de agosto. A liquidação contra pagamento foi efetuada nesta sexta-feira, 17 de julho, através da Iberclear.
A operação contou com o respaldo da Global Portfolio Investments, veículo investidor da família Domínguez de la Maza (Grupo Mayoral), que participou como investidor institucional de referência com uma contribuição de 100 milhões de euros.
A estreia no pregão foi celebrada nesta quinta-feira com o tradicional toque de campainha no Palácio da Bolsa de Madrid, em um ato no qual participaram o conselheiro delegado da Digi Spain, Marius Varzaru, e o conselheiro delegado do Grupo Digi Communications, Serghei Bulgac, junto a membros do conselho de administração, autoridades e representantes do âmbito econômico e social.
Investidores institucionais e possível nova colocação
A companhia conseguiu o apoio de mais de 50 investidores institucionais em sua chegada ao mercado espanhol e indicou que estuda a opção de colocar à cotação um 5% adicional de seu capital após a oferta inicial, dependendo de como evoluir o preço na Bolsa e das condições do mercado. Esta possível operação se enquadraria "em algum momento, no próximo ano ou em dois", dentro de um plano elaborado há nove meses que contemplava colocar até 25% do capital, com uma primeira fase próxima a 20% e a possibilidade de ampliá-la posteriormente.
"A dispensa que recebemos nos permite ficar neste nível, mas sim que gostaríamos em algum momento de continuar e ampliar até 25%", afirmou.
Além disso, indicou que a CNMV aceitou a dispensa para não cumprir desde o início com o requisito de um capital flutuante de 25%, e que não existe um calendário fechado para executar essa colocação adicional, além do período mínimo de 180 dias de restrição após a saída à Bolsa.
Além disso, precisou que não haverá limitações à participação de investidores minoristas nessa eventual operação, por se tratar de uma colocação secundária sem emissão de novas ações.
Política de dividendos e governo corporativo
A companhia, que definiu uma estratégia de crescimento a longo prazo, já adiantou no folheto da oferta que não contempla repartir dividendos antes de 2030 e que, a partir desse exercício, a direção estudará um possível pagamento em função dos resultados, da geração de caixa, das necessidades de financiamento, dos planos estratégicos e das restrições de seus contratos financeiros.
No entanto, a Digi deixou a porta aberta para antecipar esse repartimento se seu plano de negócios evoluir melhor do que o previsto. "Até o ano de 2030 esperamos não repartir dividendos. Se o plano de negócios for melhor do que esperávamos (...) há uma possibilidade de acelerá-lo", afirmou.
Quanto à estrutura de governança corporativa, o conselho de administração da filial espanhola será presidido por Serghei Bulgac, como conselheiro dominical, enquanto Marius Varzaru assumirá a vice-presidência e o cargo de conselheiro delegado. O órgão se completa com Catalin Neagoe (executivo), Mariana Mihaela Toroman (dominical), Carlos Robles García (independente) e Virginia Arce Peralta (independente).