As farmacêuticas Moderna e Merck protagonizaram fortes altas na Bolsa, de 75% e 8%, respectivamente, após comunicar resultados preliminares favoráveis em um ensaio clínico de uma vacina contra o melanoma. O estudo mostrou uma redução na recorrência desse tipo de câncer de pele —ou seja, um atraso em sua reaparição— e uma maior demora na aparição de metástases.
Após a divulgação desses dados, as ações do laboratório biotecnológico americano Moderna chegaram a disparar nas operações pré-abertura da Bolsa de Nova York, aproximando-se de um avanço de 75%. Assim, o preço por título alcançou 110 dólares, em comparação aos 62,96 dólares registrados no fechamento da sessão anterior.
No caso da alemã Merck, a reação do mercado foi mais contida, embora igualmente significativa: seus títulos chegaram a subir cerca de 8% em Wall Street, situando-se em 145 dólares por ação, acima dos 135,17 dólares com os quais terminou a jornada anterior.
Ambas as companhias combinaram uma terapia baseada em ARN com um fármaco já comercializado pela Merck, Keytruda, para desenvolver essa nova estratégia terapêutica. Os testes representaram o primeiro resultado positivo de fase 3 tanto para uma terapia de neoantígenos individualizada quanto para um tratamento oncológico sustentado em ARNm.
Segundo detalharam as empresas, os resultados mostraram "melhoras estatisticamente significativas e clinicamente relevantes" na sobrevivência livre de recorrência e na sobrevivência livre de metástases à distância em pacientes com esse tipo de melanoma.
As firmas preveem apresentar os dados completos em uma próxima reunião médica internacional e remetê-los posteriormente às autoridades reguladoras competentes para sua avaliação.
"Esses resultados da fase 3 representam um momento crucial para a pesquisa oncológica. Durante muitos anos, a ideia de criar um tratamento de ARNm projetado especificamente para o câncer de cada paciente foi uma aspiração. Agora estamos contribuindo para transformar essa visão em realidade", destacou o CEO da Moderna, Stéphane Bancel.
"Ao intervir em uma fase inicial da doença, quando muitos cânceres são considerados mais tratáveis, o objetivo da terapia adjuvante administrada após a cirurgia é aumentar a possibilidade de cura para um maior número de pacientes", afirmou o presidente dos Merck Research Laboratories, Dean Y Li.