O diretor da OMS alerta que a epidemia de ébola ainda está longe de estar controlada

A OMS alerta que a epidemia de ébola na República Democrática do Congo continua fora de controle, com quase 5.000 casos e mais de 2.300 mortes.

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O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, advertiu que a atual epidemia de ébola "não está nem de longe sob controle". O responsável pelo organismo internacional lança este aviso após a confirmação de quase 5.000 contágios, a maioria na República Democrática do Congo, e mais de 2.300 pessoas falecidas.

"O surto é impulsionado pela insegurança e pelos deslocamentos, assim como pelos intensos movimentos populacionais ao longo de estradas, rios e rotas mineradoras", destacou o chefe da OMS durante a segunda reunião do Comitê de Emergências do Regulamento Sanitário Internacional (RSI).

De acordo com os últimos dados disponíveis, datados de 15 de agosto, as autoridades sanitárias da República Democrática do Congo notificaram 4.945 casos e 2.325 mortes. Diante desses números, Tedros insiste que a situação continua sendo muito grave. "Temos que ser sinceros: a epidemia não está nem de longe sob controle", enfatizou, lembrando que o surto teve "um início fulgurante e ainda estamos tentando nos recuperar dessa vantagem".

O diretor da OMS reconheceu que um dos elementos mais inquietantes é que boa parte das vítimas falece fora dos centros de tratamento e não figura nas listas de contatos identificados pelas equipes de rastreamento.

"Cada uma dessas mortes aponta para uma cadeia de transmissão que ainda não localizamos", advertiu o máximo responsável da OMS, sublinhando que a epidemia não diminuirá enquanto não forem detectadas e cortadas todas essas cadeias de contágio.

"O risco não para nas fronteiras da República Democrática do Congo. Uganda já parou a transmissão após o salto inicial, e parabenizo o governo e o povo de Uganda pela sua resposta decisiva. No mês passado, no entanto, um viajante transportou o vírus para a França. As fronteiras podem retardar uma resposta, mas não param um vírus", destacou Tedros, aludindo à ameaça de propagação internacional.

Nesse contexto, o diretor da OMS valorizou o papel do Executivo congolês, que lidera a resposta sanitária em coordenação com a OMS e os Centros Africanos para o Controle e a Prevenção de Doenças (CDC).

"Estamos fortalecendo a vigilância baseada na comunidade, ampliando a capacidade de atendimento médico, apoiando sepultamentos seguros e dignos, trabalhando com as comunidades para criar confiança e sensação de identificação e promovendo ensaios clínicos para vacinas e tratamentos", detalhou, ao descrever as principais linhas de atuação frente ao surto.

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