O Ibex 35 começa com altas e toca os 20.200 pontos com o petróleo a 91 dólares

O Ibex 35 abre com avanços e se aproxima dos 20.200 pontos, em um mercado marcado pelas sanções dos EUA ao Irã e o petróleo em torno de 91 dólares.

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O Ibex 35 da Bolsa de Madrid iniciava a sessão desta terça-feira com um aumento de 0,45%, situando-se em 20.189 pontos, depois de encadear na jornada anterior um avanço próximo de 0,7% que o deixou à porta dos 20.100 pontos.

Durante a jornada, os investidores manterão o foco na situação no Oriente Médio, após o anúncio do Governo dos Estados Unidos de novas sanções contra "múltiplas entidades, indivíduos e embarcações", a quem acusa de "facilitar as atividades desestabilizadoras" do Governo do Irã, horas depois de comunicar o início da ofensiva comercial contra a República Islâmica.

"Os Estados Unidos tomaram ações contundentes contra múltiplas entidades, indivíduos e embarcações que facilitam as atividades desestabilizadoras do regime iraniano", aponta a nota oficial do Departamento de Estado assinada por seu porta-voz Thomas Pigott.

As sanções se dirigem, entre outros, contra "um extenso grupo de transportadores e agentes que movimentam petróleo iraniano, além de produtos petrolíferos e petroquímicos, através dos Emirados Árabes Unidos, China, Singapura e Europa para financiar a Força Quds da Guarda Revolucionária Islâmica e outros elementos do regime", segundo detalha o comunicado.

O texto conclui com "um apelo à comunidade internacional para que se una" a Washington "na tarefa de exigir responsabilidades a esses atores", e chega pouco depois do início da ofensiva comercial da Administração Trump contra o Irã, no qual o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, advertiu sobre sanções a todos os países que mantiverem relações comerciais com Teerã, incluindo a China, com o objetivo de isolar completamente a economia iraniana.

Em paralelo, o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirmou que a Administração Trump não exclui "de maneira nenhuma" retomar os ataques contra o Irã após o início da chamada guerra econômica, apesar de que o próprio secretário do Tesouro havia apontado dias antes que "provavelmente não haverá um reinício cinético em grande escala".

"De maneira nenhuma descartamos o uso de ataques cinéticos em qualquer ponto do estreito de Ormuz ou nas proximidades do Irã", manifestou Hegseth. "Se precisarmos usá-los, nós os usaremos. Se o Irã for tão imprudente a ponto de extrapolar ou provocar o Exército americano, faremos o que for necessário", acrescentou.

Na mesma comparecência, o responsável pela Defesa sublinhou que está "em plena coordenação" com Scott Bessent "a respeito da pressão econômica e toda a pressão que pode exercer". "Sabemos que o Irã não pode suportá-la. Em definitiva, sua economia está em uma espiral descendente", destacou.

Além disso, assegurou que os Estados Unidos mantêm sob controle o estreito de Ormuz por meio de um bloqueio naval "inexpugnável" através do qual "flui o petróleo" enquanto "o Irã não pode transportar nada".

De Teerã, minimizou-se o impacto da ofensiva econômica iniciada por Washington contra a República Islâmica —qualificada pelos Estados Unidos como a "maior ofensiva financeira já orquestrada"—, lembrando que o país norte-americano "leva muito tempo tentando cortar as artérias econômicas" do Irã.

"Fizeram muitas tentativas durante este período, tentaram colocar à prova a maioria do povo iraniano e os funcionários do país, e falharam em cada ocasião, e aparentemente querem voltar a falhar", declarou o ministro da Economia iraniano, Alí Madanizadé, em uma entrevista concedida à radiodifusão estatal, IRIB.

Neste contexto geopolítico, o preço do barril de Brent, referência na Europa, recuava 0,9% no início da negociação nas praças europeias, até 91,3 dólares, enquanto o West Texas Intermediate (WTI), referência nos Estados Unidos (EUA), caía 0,8%, até 84,2 dólares por barril.

No plano macroeconômico, os investidores disporão nesta terça-feira de várias referências, entre elas o dado do PIB alemão do segundo trimestre, o índice de confiança empresarial IFO e os números de vendas de habitação nova nos Estados Unidos.

No entanto, a citação chave da semana será a reunião de banqueiros centrais de Jackson Hole, que começará na quinta-feira e na qual na sexta-feira intervirá o presidente do Federal Reserve (Fed), Kevin Warsh, em sua primeira participação neste fórum, em um cenário marcado pela volatilidade associada ao aumento dos rendimentos da dívida americana.

Os mercados também aguardam com interesse as contas trimestrais do fabricante de semicondutores Nvidia, que serão publicadas amanhã ao fechamento das Bolsas europeias.

No âmbito nacional, o Instituto Nacional de Estatística (INE) divulgou às 9h00 os preços industriais de julho, que registraram um aumento de 9,2% em relação ao ano anterior, 2,2 pontos acima do dado de junho, impulsionados pelo encarecimento da energia.

Maiores subidas e descensos do Ibex na abertura

Nos primeiros minutos de negociação na Bolsa de Madrid, dentro do Ibex 35 destacavam-se em alta IAG (+1,39%), Acerinox (+1,28%), ACS (+0,96%), Inditex (+0,79%) e Banco Sabadell, que avançava 0,78%.

No lado contrário, as principais quedas iniciais eram para Logista (-1,11%), que cotiza ex-dividendo, ArcelorMittal (-0,51%), Telefónica (-0,25%) e Repsol, que retrocedia 0,22%.

No resto das praças do Velho Continente, as principais Bolsas europeias alinhavam-se com Madrid e abriam também em positivo. Milão somava 0,6%, Paris apreciava-se 0,4%, Frankfurt avançava 0,3% e Londres ganhava 0,1%.

No mercado de divisas, o euro cedia terreno frente ao dólar, até uma taxa de câmbio de 1,1658 "notas verdes", enquanto que na renda fixa o rendimento do título espanhol a dez anos relaxava até 3,698%.