Santander consolida sua posição na Ebury, a fintech britânica especializada em pagamentos internacionais e câmbio de moedas, depois que a Comissão Europeia autorizou sem condições seu controle conjunto com o fundo americano Centerbridge. A operação reforça uma das apostas do banco pelo negócio de pagamentos para empresas e mantém o Santander como acionista majoritário.
A autorização de Bruxelas, aprovada no dia 18 de agosto, conclui que a operação não apresenta problemas de concorrência no mercado europeu devido à limitada posição de mercado derivada da transação.
Santander mantém 55% da Ebury
A operação é fruto das rodadas de financiamento anunciadas em abril. Santander investiu 57 milhões de euros e mantém uma participação de 55% na Ebury, portanto continua sendo seu principal acionista. Centerbridge se incorpora como novo sócio de referência junto a outros investidores.
A Ebury levantou cerca de 634 milhões de euros nessas rodadas, fundos destinados a acelerar seu crescimento, desenvolver novos produtos e ampliar sua presença internacional. A companhia também prevê reforçar suas capacidades de inteligência artificial aplicadas ao processamento de pagamentos e às soluções de câmbio.
Uma fintech que já trabalha com mais de 27.000 empresas
A Ebury opera atualmente em 30 mercados regulados e presta serviço a mais de 27.000 empresas em todo o mundo. Sua plataforma permite gerenciar pagamentos internacionais, operações em mais de 140 moedas e o risco associado às taxas de câmbio.
O crescimento da fintech tem sido um dos motivos que levaram o Santander a manter sua aposta na companhia. Desde a entrada do banco em seu capital em 2020, a Ebury registrou um crescimento de suas receitas superior a 30% ao ano, segundo os dados fornecidos pelo Santander.
O que ganha o Santander com a Ebury?
A principal vantagem estratégica para o Santander está em reforçar seu negócio de pagamentos internacionais para pequenas e médias empresas. A Ebury permite ao grupo oferecer a companhias que operam em diferentes países serviços de cobranças, pagamentos, câmbio e gestão do risco cambial.
A fintech faz parte de Payments Solutions, o negócio global de pagamentos do Santander, que tem como objetivo crescer a um ritmo superior a 15% ao ano entre 2026 e 2028 e alcançar uma margem Ebitda próxima a 45% em 2028.
Além disso, a operação permite ao banco manter o controle majoritário de uma plataforma tecnológica especializada enquanto incorpora a Centerbridge como sócio com capacidade financeira e experiência de investimento para impulsionar sua expansão.
A aprovação de Bruxelas elimina o principal obstáculo regulatório
A Comissão Europeia autorizou a operação sem impor condições, ao considerar que a aquisição conjunta não gera problemas de concorrência no mercado interno. A decisão permite avançar em uma operação que já estava sujeita às autorizações regulatórias correspondentes.
A autorização não supõe, por si mesma, um impacto bursátil concreto para o Banco Santander. Sua relevância está principalmente no plano estratégico e empresarial, ao permitir ao banco consolidar sua posição majoritária em uma fintech com presença internacional e uma ampla carteira de clientes empresariais.
Com a Ebury, o Santander mantém assim uma via de crescimento em um mercado em expansão e reforça sua estratégia de combinar sua escala bancária com plataformas tecnológicas especializadas em pagamentos internacionais.