A partir de que salário se pode considerar que uma pessoa é classe média na Espanha? A resposta não é tão simples como estabelecer um número concreto. Ser classe média pode ser medido através do salário, do patrimônio, da profissão, do lugar de residência ou até mesmo pela percepção que cada cidadão tem de sua própria situação econômica. A própria OCDE reconhece que existem diferentes formas de defini-la e utiliza o conceito de «classe de rendimentos médios» quando realiza comparações econômicas.
Um de seus critérios mais utilizados considera dentro deste grupo as pessoas que vivem em lares cuja renda disponível se encontra entre 75% e 200% da mediana nacional. Abaixo de 75% estariam os lares de rendimentos baixos e, quando se supera 200%, a OCDE os classifica dentro do grupo de rendimentos altos.
Entre 1.273 e 3.395 euros por mês se você vive sozinho
Os últimos dados disponíveis do Instituto Nacional de Estatística (INE) permitem aproximar essa fronteira para a Espanha. A Pesquisa de Condições de Vida de 2025, que utiliza os rendimentos obtidos durante 2024, situa o limiar de risco de pobreza para uma pessoa sozinha em 12.220,4 euros anuais. Esse limiar equivale a 60% da renda mediana, portanto a mediana se situa em aproximadamente 20.367 euros anuais por unidade de consumo.
Se se aplica a essa quantia o critério da OCDE, uma pessoa que vive sozinha entraria na denominada classe de rendimentos médios a partir de uns 15.276 euros líquidos disponíveis ao ano e permaneceria dentro dela até uns 40.735 euros. Dividido entre doze meses, a faixa fica aproximadamente entre 1.273 e 3.395 euros mensais.
Dentro dessa ampla faixa, a OCDE distingue ainda três níveis. Para uma pessoa sozinha, tomando como referência os últimos dados espanhóis, ficariam aproximadamente assim:
- Classe média-baixa: entre 1.273 e 1.697 euros por mês.
- Classe média-média: entre 1.697 e 2.546 euros por mês.
- Classe média-alta: entre 2.546 e 3.395 euros por mês.
A classificação procede de dividir os rendimentos médios entre aqueles que percebem de 75% a 100% da mediana, de 100% a 150% e de 150% a 200%, respectivamente.
Não é a mesma coisa receber 2.000 euros vivendo sozinho do que mantendo uma família
Aqui aparece uma das principais diferenças na hora de calcular quem pode ser considerado classe média: a composição do lar importa. Não é comparável dispor de 2.000 euros mensais vivendo sozinho do que contar com esses mesmos rendimentos para dois adultos e várias crianças.
O INE utiliza para essas comparações a denominada escala da OCDE modificada. Ao primeiro adulto do lar é atribuído um peso de 1, a cada adulto adicional um 0,5 e a cada menor de 14 anos um 0,3. Isso permite levar em conta que as famílias compartilham despesas como a habitação, a eletricidade ou determinados bens.
Aplicando esse método, um casal de dois adultos precisaria aproximadamente entre 1.909 e 5.092 euros mensais de renda disponível conjunta para se situar dentro da faixa de rendimentos médios. Se esse casal tiver um filho menor de 14 anos, o intervalo aumentaria até cerca de 2.291 a 6.110 euros por mês.
Para um lar composto por dois adultos e dois filhos menores de 14 anos, a faixa se elevaria aproximadamente até 2.673 euros mensais em seu extremo inferior e 7.129 euros no superior. Esses números referem-se ao conjunto de rendimentos disponíveis do lar, não ao que deveria receber individualmente cada integrante. O INE utiliza precisamente este sistema de unidades de consumo para tornar comparáveis lares de tamanhos diferentes.
Cuidado: não estamos falando de salário bruto
Há outra precisão fundamental. Esses números não equivalem diretamente ao salário bruto que aparece em um contracheque. O critério da OCDE é construído sobre a renda disponível do lar, corrigida pelo seu tamanho, e não apenas sobre o salário de uma pessoa.
O conceito pode incluir diferentes fontes de renda e leva em conta os recursos disponíveis do conjunto do lar. Por isso, afirmar que «para ser classe média é preciso ganhar 1.273 euros» seria uma simplificação excessiva: essa quantia serve como aproximação para uma pessoa que vive sozinha, utilizando o critério de renda da OCDE e os últimos dados de rendimentos disponíveis do INE.
Além disso, o custo de vida muda enormemente dependendo de onde se reside. Os limiares são nacionais, de modo que não incorporam diretamente as diferenças no preço do aluguel ou da habitação entre Madrid, Barcelona, uma capital provincial ou um município rural. A OCDE utiliza precisamente a mediana nacional para poder classificar os lares segundo sua posição dentro da distribuição de rendimentos do país.
¿A partir de quanto se considera renda alta?
Seguindo estritamente o mesmo critério, uma pessoa que vive sozinha entraria no grupo de rendimentos altos quando supera aproximadamente os 3.395 euros mensais de renda disponível, equivalentes a 200% da mediana estimada com os últimos dados do INE.
Pelo contrário, quem se encontrar abaixo de uns 1.273 euros mensais estaria, sob esta classificação econômica, fora do grupo de rendimentos médios e dentro do segmento de rendimentos baixos. Isso também não significa automaticamente estar em risco de pobreza: o INE coloca essa fronteira consideravelmente mais abaixo, em 60% da mediana, que na Pesquisa de Condições de Vida de 2025 equivalia a 12.220,4 euros por ano — cerca de 1.018 euros mensais — para um lar de uma só pessoa.
Ser classe média vai além da folha de pagamento
Os números permitem situar os rendimentos de uma família em relação ao conjunto da população, mas não resolvem completamente o que significa pertencer à classe média. A OCDE lembra que o conceito pode ser analisado também por meio do emprego, da ocupação, do patrimônio ou fatores sociais e culturais, além de existir uma importante dimensão subjetiva: muitas pessoas se identificam como classe média embora estatisticamente fiquem fora das faixas de renda utilizadas pelos economistas.
Com o critério econômico da OCDE e os últimos dados espanhóis, a referência é, em qualquer caso, clara: para uma pessoa que vive sozinha, a classe média de rendimentos começaria atualmente em torno de 1.273 euros mensais de renda disponível e alcançaria aproximadamente 3.395 euros. A partir daí, o tamanho da família pode mudar substancialmente a quantidade necessária para ocupar a mesma posição econômica.