A chefe do Governo islandês descarta que a entrada na UE avance durante seu mandato

Kristrún Frostadóttir dá por aparcada a adesão da Islândia à UE após a vitória do Não em um referendo com participação recorde.

1 minuto

fotonoticia 20260830155650 1920
Adicione DEMOCRAT no Google

Publicado

1 minuto

A primeira-ministra da Islândia, Kristrún Frostadóttir, deixou claro neste domingo que a possível adesão do país à União Europeia fica, para ela, fora da agenda política após a rejeição expressa pela cidadania no referendo realizado neste sábado.

"Está bastante claro que este assunto não avançará sob este governo", manifestou em sua primeira coletiva de imprensa após o resultado de uma votação, quem considerou que sua decisão final é fruto do "curso natural dos acontecimentos".

A consulta registrou uma participação muito elevada, de 82,5%, a mais alta desde as legislativas de 2009. O "Não" à reabertura do processo de adesão impôs-se com 52,8% (118.040 cédulas), superando em algo mais de cinco pontos os partidários de retomar as conversas com Bruxelas, que alcançaram 47,2% (105.399 votos), segundo os dados oficiais definitivos.

A Islândia abriu negociações de ingresso em 2010, mas as deixou em suspenso três anos depois, em parte pelas tensões surgidas em torno das consequências que teria somar-se à política pesqueira comum. A vitória do "Não" reflete que o eleitorado não apoiou as promessas da primeira-ministra e, sobretudo, do liberal ministro da Economia Dadi Már Kristófersson, principal promotor da consulta, de proteger o setor pesqueiro, que representa cerca de 40% do PIB islandês.

O próximo movimento será decidir se o Executivo islandês remete a Bruxelas um pedido formal para dar por concluídas as conversas. "Discutiremos com a comissão parlamentar de Assuntos Exteriores sobre a melhor maneira de fechar este capítulo. Não temos intenção de tomar nenhuma decisão definitiva a respeito", assinalou Frostadóttir.

Por enquanto, a dirigente islandesa explicou que já trocou mensagens com Antonio Costa, presidente do Conselho Europeu, e sublinhou que as instituições europeias, à parte do desfecho do referendo, conhecem sua vontade de "manter uma relação sólida".

Seja qual for a leitura política, "estamos felizes com um referendo maravilhoso", celebrou a primeira-ministra, que destacou que a consulta, além do resultado, registrou uma participação excepcional e "elevou o nível do debate".