A União Europeia aceitou nesta quinta-feira o anúncio da Comissão Eleitoral da Zâmbia sobre os resultados das eleições gerais de 13 de agosto passado e a continuidade no cargo do presidente Hakainde Hichilema, apesar dos "incidentes graves e irregularidades de procedimento" registrados durante a contagem e a tabulação dos votos.
Em um comunicado, a Missão de Observação Eleitoral da União Europeia (MOUE) —convidada pelas autoridades zambianas para supervisionar as eleições— confirmou a vitória de Hichilema, no poder desde 2021 e agora reeleito para um novo mandato de cinco anos após vencer com mais de 60 por cento dos votos.
Ao mesmo tempo, a missão reiterou suas conclusões preliminares sobre o processo eleitoral, nas quais lamentou que houve "incidentes graves e irregularidades" de procedimento durante a contagem e a tabulação, "que afetaram a transparência e a credibilidade do processo".
O relatório também destaca que, embora o dia da eleição tenha transcorrido em geral "com tranquilidade" e tenha sido registrada "uma votação eficiente" e uma "oferta competitiva para os eleitores", o processo foi marcado por uma "competição desigual" desde o início da campanha, devido a restrições à atividade de campanha e às vantagens inerentes à reeleição.
Apesar disso, a MOUE instou "todas as partes interessadas" a "consolidar a sólida trajetória democrática da Zâmbia" e a canalizar qualquer reclamação "de forma pacífica e construtiva".
"Qualquer disputa deve ser resolvida por meio dos procedimentos legais estabelecidos, e qualquer episódio de violência denunciado deve ser devidamente investigado com plena prestação de contas", destacou a missão, que ofereceu seu apoio a "um futuro democrático, próspero e pacífico para o povo da Zâmbia".
Hichilema renovou seu mandato por mais cinco anos, apoiado pela produção recorde de cobre no continente africano e pela valorização da moeda nacional, o kwacha zambiano.
No entanto, o processo eleitoral foi fortemente condicionado por episódios de violência política que levaram até mesmo a Comissão Eleitoral a suspender temporariamente a contagem. Segundo denunciou o organismo, a violência se dirigiu "contra o pessoal eleitoral" e resultou no "roubo de cédulas marcadas nas urnas".