Alemanha acusa a Rússia do ataque com drones bomba em Leipzig e eleva o alerta pela guerra híbrida

Berlim atribui a Moscovo o ataque frustrado de 4 de agosto contra o aeroporto de Leipzig/Halle. A acusação coincide com outro possível sabotagem contra uma subestação elétrica chave em Brandemburgo.

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Alemanha assinalou a Rússia como responsável pelo ataque falhado com drones carregados de explosivos contra o aeroporto de Leipzig/Halle do passado 4 de agosto. O Governo de Friedrich Merz eleva assim o episódio à categoria de ameaça híbrida e anuncia uma resposta frente a Moscovo, enquanto as autoridades investigam outro possível sabotagem contra uma infraestrutura elétrica estratégica em Brandemburgo.

O ministro alemão do Interior, Alexander Dobrindt, e o titular de Exteriores, Johann Wadephul, compareceram esta terça-feira em Berlim para comunicar as conclusões alcançadas pelo Executivo após várias semanas de investigação.

"O Governo alemão chega à conclusão de que a Rússia é a responsável pelo ataque do 4 de agosto no aeroporto de Leipzig", afirmou Dobrindt, segundo a informação divulgada após a comparecência. A televisão pública alemã ARD também confirmou que o Governo federal atribui oficialmente o incidente à Rússia.

A decisão supõe uma mudança em relação à posição que Berlim mantinha até apenas 24 horas antes. Esta segunda-feira, o porta-voz do Governo, Stefan Kornelius, negou-se a adiantar uma atribuição enquanto as investigações continuassem abertas e assegurou que qualquer apontamento se produziria quando as provas fossem suficientemente sólidas.

Pelo menos três drones e explosivos

O incidente ocorreu durante a noite do 4 de agosto. Pelo menos três drones estiveram implicados em uma operação dirigida contra o aeroporto de Leipzig/Halle, onde se encontravam aeronaves ucranianas.

Um dos aparelhos carregados com explosivos chegou até as proximidades de um avião ucraniano. Outro teria impactado contra uma aeronave sem causar danos graves, enquanto um terceiro drone com material explosivo foi localizado dias depois dentro do perímetro aeroportuário.

A investigação determinou que um dos dispositivos não chegou a explodir devido a uma falha no mecanismo de detonação, evitando um incidente de maiores dimensões. Associated Press confirma que Berlim considera o episódio uma manifestação das operações híbridas russas.

O Governo alemão já havia qualificado o achado de um drone carregado com explosivos como um "incidente de segurança muito grave" e uma "nova qualidade de ameaça". O Conselho Nacional de Segurança reuniu-se a 7 de agosto sob a presidência do chanceler Friedrich Merz para analisar o caso.

"A Rússia tem a Alemanha como alvo"

A atribuição chega em plena preocupação alemã pela denominada guerra híbrida, que abrange desde sabotagens e espionagem até campanhas de desinformação, ciberataques ou ações contra infraestruturas críticas.

"A Rússia tem a Alemanha como alvo, assim como o conjunto da Europa", advertiu Wadephul durante a apresentação.

Dobrindt insistiu que a Alemanha "não está em guerra", mas sim se encontra exposta de forma recorrente a desinformação, sabotagens, ataques contra infraestruturas críticas e ações contra interesses ucranianos.

Essa descrição coincide com a avaliação oficial que o próprio Governo alemão realizava antes de atribuir o ataque de Leipzig. Berlim sustenta que a Alemanha e a Europa estão submetidas a uma combinação crescente de espionagem, sabotagens, desinformação e ataques cibernéticos provenientes do exterior.

Explosivos junto a uma central térmica de Brandemburgo

A acusação contra a Rússia coincidiu com outro incidente que afeta uma infraestrutura crítica alemã, embora por enquanto as autoridades não tenham vinculado ambos os casos.

A polícia investiga um possível ataque contra a subestação elétrica de Turnow-Preilack, em Brandemburgo, uma instalação conectada com Jänschwalde, uma das principais centrais térmicas da região.

Os investigadores localizaram um artefato incendiário não explosivo e outros projéteis caseiros nas instalações. Parte da infraestrutura ficou temporariamente fora de serviço, embora o fornecimento geral pudesse ser restabelecido e não houve uma interrupção significativa da rede.

O operador 50Hertz informou que os dispositivos empregados eram semelhantes a projéteis pirotécnicos caseiros e que foram encontrados outros não utilizados.

A companhia LEAG, responsável pela central de Jänschwalde, comunicou uma parada pontual de uma de suas unidades. As autoridades de Brandemburgo investigam o episódio como um possível ataque deliberado contra uma infraestrutura energética.

Berlim prepara sua resposta

O caso de Leipzig acelerou a resposta do Executivo de Merz frente aos drones e aos ataques híbridos. A Alemanha já trabalha em reforçar a capacidade de suas forças de segurança para detectar, interceptar e neutralizar aparelhos não tripulados.

O Governo elevou além disso o nível geral de ameaça de "abstrato" a "alto", depois de receber um volume crescente de informações de seus próprios serviços de inteligência e de países aliados. Berlim precisa, no entanto, que não existe atualmente uma ameaça concreta contra a população.

A resposta terá também uma dimensão diplomática. Segundo a Associated Press, Wadephul anunciou medidas contra interesses russos na Alemanha, entre elas o fechamento do consulado russo em Bonn no próximo 18 de setembro e o fim do acordo que permite operar o centro cultural Russian House em Berlim.

A ofensiva política alemã se produz depois que Merz advertiu no final de agosto que os responsáveis pelo episódio de Leipzig teriam que responder por seus atos. A questão dos drones fez parte também das discussões do Executivo em seu retiro de finais de agosto, onde o Governo analisou novas capacidades de defesa frente a este tipo de ameaças.