Ampliação | Grécia fecha com Israel a compra de escudos antiaéreos por 3.000 milhões

Grécia compra de Israel sistemas antiaéreos por 3.000 milhões em um acordo histórico que reforça sua defesa e desencadeia uma forte rejeição política interna.

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Grécia e Israel selaram nesta segunda-feira um acordo de defesa avaliado em 3.000 milhões de euros, uma cifra sem precedentes, pelo qual Atenas incorporará ao seu território vários sistemas de defesa antiaérea de fabricação israelense, integrados em um programa batizado como "Escudo de Aquiles".

O pacto inclui a venda por parte de Israel de diferentes equipamentos, entre eles "Honda de David" e "SPYDER", sistemas utilizados pelas Forças Armadas israelenses e produzidos pela companhia tecnológica Rafael. Além disso, será fornecido o sistema de mísseis terra-ar "Barak", desenvolvido pela Israel Aerospace Industries, conforme detalhou o Ministério da Defesa israelense em uma nota oficial.

O projeto prevê que a Grécia integre esses equipamentos israelenses de última geração com os que já opera, além de suas baterias Patriot e outras capacidades defensivas. Estima-se que participarão do programa mais de uma dezena de empresas da indústria militar grega.

"É um dos acordos de segurança mais importantes da história do país, na esteira da Aliança do Mediterrâneo Oriental que forjamos há uma década com a Grécia e Chipre", destacou o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, em um comunicado.

Netanyahu considera que além disso "demonstra a tremenda capacidade da indústria de defesa e tecnológica de Israel". "Expressa a força de Israel, a confiança em nossas exportações de defesa e o reforço das alianças regionais", apontou.

O comunicado sobre o pacto sublinha que se trata do "maior acordo de exportação em matéria de defesa da história das relações entre Israel e Grécia, e um dos maiores na história do Estado de Israel" e ressalta que permitirá a Israel "fornecer a outro país pela primeira vez um sistema de defesa completo contra uma ampla gama de ameaças, incluindo mísseis balísticos e drones".

A assinatura do contrato foi realizada na sede do Ministério da Defesa israelense em Tel Aviv, com a assinatura do diretor-geral desse departamento, Amir Baram, e seu homólogo grego, Ioannis Bouras.

"Nos termos deste acordo, Israel construirá para a Grécia um sistema de defesa aérea integral, baseado inteiramente em sistemas de fabricação israelense e na ampla experiência operacional que o aparato de defesa israelense adquiriu durante a guerra", registra o texto. Além disso, as partes assinaram um acordo adicional por 26 milhões de euros para a entrega dos sistemas "Drone Dome" da Rafael.

O Ministério acrescentou que Israel "ampliará a cooperação industrial em matéria de defesa com a Grécia, incluindo a transferência de conhecimentos e tecnologia para a indústria local".

"Este projeto marca outro marco na cooperação em defesa entre Israel e Grécia, um parceiro estratégico chave no Mediterrâneo Oriental. A escolha por parte da Grécia da tecnologia israelense como pilar fundamental de seu programa de desenvolvimento de defesa aérea mais ambicioso da última década reflete a profunda confiança que existe entre ambos os países", sustentou.

Por sua vez, o ministro da Defesa, Israel Katz, ressaltou que sua deslocação à Grécia há alguns meses "foi uma demonstração a mais da profundidade da relação estratégica entre Israel e Grécia, e da firme determinação de continuar fortalecendo-a".

"Naquela reunião (com seu homólogo, Nikos Dendias), concordamos em reforçar a cooperação em matéria de segurança entre ambos os países. Israel e Grécia compartilham interesses estratégicos comuns e enfrentam desafios regionais comuns. Precisamente em um momento em que elementos com ambições hegemônicas buscam expandir sua influência e desestabilizar a região, Israel e Grécia continuarão aprofundando sua cooperação estratégica e em matéria de segurança, e agirão com determinação para preservar a estabilidade e fortalecer sua segurança e interesses comuns", esclareceu Katz.

Críticas da oposição grega

O Executivo heleno que impulsionou o acordo com Israel é liderado pelo partido conservador Nova Democracia, com maioria absoluta, e conta ainda com o apoio do histórico Partido Socialista Panhelênico (PASOK), que por enquanto não se pronunciou sobre este entendimento em matéria de defesa.

Em contrapartida, o principal grupo opositor em número de cadeiras, o Partido Comunista Grego (KKE), advertiu sobre a "perigosa decisão" do Governo do primeiro-ministro Kyriakos Mitsotakis. "Acelera os preparativos para a guerra e aprofunda a implicação de nosso país e nosso povo em guerras e planos imperialistas, com objetivos americanos e da OTAN para a região", argumentou a formação.

O KKE denuncia a "propaganda" e a mensagem sobre a "proteção do território grego" sem considerar que "Israel é um Estado assassino", e critica o elevado custo do contrato "à custa dos direitos e necessidades de nosso povo".

Também a Coalizão da Esquerda Radical (SYRIZA) atacou a "dependência" do Governo grego do "Governo genocida de Israel" e colocou em dúvida se as novas capacidades defensivas gregas estarão realmente sob controle de Atenas.

O ex-ministro das Finanças Yanis Varoufakis também manifestou sua "vergonha" pelo "desprezível" acordo, alcançado "apesar da clara maioria dos gregos que rejeitam o estado genocida do apartheid".