O presidente da França, Emmanuel Macron, comunicou neste sábado que Paris enviará um novo lote de mísseis interceptores para a Ucrânia, em resposta direta aos últimos pedidos de Kiev diante da escassez de defesas contra os ataques de mísseis russos.
"Informei ao presidente Zelenski sobre o fortalecimento do nosso apoio com o desdobramento de interceptores e a continuação da nossa cooperação em consonância com a reunião inaugural da Coalizão Antimísseis Balísticos realizada em Paris em 13 de julho e a declaração de intenções assinada em 17 de novembro de 2025", destacou o chefe de Estado francês em suas redes sociais.
Naquela mensagem, Macron também transmitiu ao seu homólogo ucraniano seu "horror" e "profundo pesar" pelo recente ataque contra um centro comercial" de Krivoi Rog, no qual morreram pelo menos 16 pessoas e 130 ficaram feridas, um evento que ele vinculou à urgência de fornecer esses interceptores para "dar à Ucrânia todos os meios necessários para defender seu espaço aéreo".
O dirigente gaulês também exigiu que outros governos se envolvam nesse esforço: "É fundamental que todos os países que tenham os meios à sua disposição se juntem também a esse esforço de apoio", afirmou, ao mesmo tempo em que denunciava os últimos bombardeios russos como "ataques sistemáticos a civis".
"A Rússia provavelmente tenta projetar poder, mas acima de tudo demonstra sua fraqueza", indicou Macron, que defendeu a necessidade de "continuar aumentando a pressão sobre a Rússia". Em sua opinião, "a Rússia tenta dobrar a Ucrânia por meio do terror: não conseguirá". "Unidos em nosso apoio à Ucrânia, garantiremos que a lei e a justiça prevaleçam sobre a força", insistiu.
Por sua parte, o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, explicou posteriormente que manteve uma conversa telefônica de duas horas com Macron, centrada nesse reforço da defesa aérea e na necessidade de Kiev de dispor de mais mísseis interceptores para o sistema Patriot americano.
"Volodimir Zelenski agradeceu ao presidente Macron por confirmar a disposição da França para aprovar a emissão de licenças para a produção de mísseis", destacou a Presidência ucraniana em um comunicado oficial, no qual se sublinha que ambos os mandatários "acordaram medidas para abrir oportunidades diplomáticas adicionais" e abordaram o financiamento das defesas ucranianas em 2026 e 2027.
Na próxima segunda-feira, Macron está previsto para se deslocar a Kiev para se reunir com os líderes dos países que integram a Coalizão de Voluntários, liderada pela França e pelo Reino Unido. À reunião comparecerão o próprio Macron, o chanceler alemão Friedrich Merz e o novo primeiro-ministro britânico, Andy Burnham.
"Nós também falamos sobre a reunião da Coalizão de Voluntários que será realizada nesta segunda-feira, sobre nossa mobilização para alcançar a paz à qual o povo ucraniano aspira legitimamente, com respeito aos seus direitos e com todas as garantias de segurança necessárias para a Ucrânia e para o nosso continente", concluiu Macron.