O ministro da Justiça do Marrocos, Abdellatif Ouahbi, reiterou nesta sexta-feira os "direitos históricos e geográficos" que Rabat reclama sobre as cidades autônomas de Ceuta e Melilla, e propôs a criação de um "espaço de diálogo" com as autoridades espanholas para tratar dessa questão.
"Defenderemos nossos direitos históricos e geográficos, e vias de diálogo sobre essa questão", afirmou em uma entrevista concedida à cadeia pública 2M, na qual também pediu "encontrar uma solução definitiva" para o atual status de Ceuta e Melilla.
O responsável pela Justiça insistiu na necessidade de abrir um "espaço de diálogo" com o Governo espanhol para abordar a "questão" de ambas as cidades, argumentando que "não é possível guardar silêncio a respeito, nem pelo bem do futuro nem pelo bem do presente".
Essas manifestações ocorrem três semanas depois da crise migratória desencadeada pela entrada irregular de 72.000 pessoas em Ceuta através da fronteira com o Marrocos. A maioria já foi devolvida, enquanto o Executivo central se concentra agora na atenção aos menores não acompanhados que conseguiram acessar a cidade.
Em relação a esse assunto, Ouahbi voltou a reclamar ao Governo espanhol a entrega de "todos" os menores marroquinos que ainda permanecem na cidade autônoma.
A resposta do Executivo espanhol foi reafirmar seu rejeição às pretensões marroquinas sobre Ceuta e Melilla, sublinhando que "são duas cidades espanholas" que fazem parte da "integridade territorial" e da "soberania" da Espanha.
"Rejeitamos e rejeitaremos categoricamente qualquer proposta diferente em relação a Ceuta e Melilla", indicaram fontes do Ministério de Assuntos Exteriores, liderado por José Manuel Albares.
Através dos canais diplomáticos, o Governo fez chegar essa mensagem de oposição às palavras do ministro da Justiça marroquino, embora Exteriores não tenha precisado se Albares manteve uma conversa direta com seu homólogo.
O Ministério também lembrou a Rabat que Ceuta e Melilla constituem a fronteira da Espanha e da União Europeia (UE) e que sua soberania está "reconhecida internacionalmente". "São igualmente parte integrante do território da UE", enfatizaram as mesmas fontes.