Ampliação | O titular de Finanças russo retorna ao G20 pela primeira vez desde a ofensiva na Ucrânia

Anton Siluanov reaparece pessoalmente no G20 nos EUA desde 2022, se reúne com Scott Bessent e provoca críticas pela guerra na Ucrânia.

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O ministro das Finanças da Rússia, Anton Siluanov, participou presencialmente da reunião de ministros das Finanças e governadores de bancos centrais do G20 realizada nos Estados Unidos, sendo esta sua primeira aparição física neste fórum desde o início da invasão russa da Ucrânia em fevereiro de 2022. No âmbito deste encontro, também manteve uma reunião com o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent.

Até agora, a última vez que Siluanov participou de uma citação do G20 foi em abril de 2022 e o fez por videoconferência, pouco depois de ter começado a ofensiva militar na Ucrânia. Desde então, havia evitado comparecer pessoalmente às grandes reuniões internacionais.

Durante a cúpula, que se desenvolve na cidade de Asheville, no estado da Carolina do Norte, sob a presidência rotativa dos Estados Unidos do G20, Bessent e Siluanov também mantiveram um encontro bilateral à margem das sessões oficiais. "Foi abordada a cooperação russo-americana no âmbito financeiro e a cooperação no seio do G20", destacou o Ministério das Finanças russo em um comunicado divulgado junto a uma fotografia de ambos os responsáveis.

Ao mesmo tempo, fontes do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos indicaram à rede CNBC que Bessent e Siluanov trataram em sua conversa o plano de paz para a Ucrânia proposto pelo presidente americano, Donald Trump.

Após a reunião, Trump justificou a presença de Siluanov na citação do G20 ao afirmar que "gostamos de nos dar bem com todo mundo". "Um dos motivos pelos quais tenho tanto sucesso é que me dou bem com todo mundo".

A participação do ministro russo das Finanças provocou desconforto entre alguns participantes, como o titular alemão das Finanças, Lars Klingbeil, que manifestou que "não existe uma situação normal com a Rússia neste momento" devido à "guerra brutal", segundo publicou o diário alemão 'Die Welt'.

Klingbeil também questionou a falta de transparência dos Estados Unidos, país anfitrião, sobre o convite feito ao alto cargo russo. Mesmo assim, o responsável alemão manteve uma troca direta com Siluanov durante o encontro e pediu que ele contribuísse para pôr fim à guerra na Ucrânia.

Na sua intervenção diante do resto das delegações, Siluanov aproveitou para destacar o que considera "dois principais desafios" para a economia global: "a fragmentação geopolítica que limita o movimento livre de mercadorias, capitais e tecnologia e o crescimento da dívida global".

Em relação à dívida, advertiu que as economias desenvolvidas são forçadas a destinar 80 por cento dos novos empréstimos para refinanciar obrigações anteriores, enquanto o custo de financiamento triplicou nos últimos cinco anos.