Ampliação | Os hutis reivindicam uma grande ofensiva com foguetes e drones contra bases do Exército iemenita em Marib e Hadramut

Os hutis lançam uma grande ofensiva com foguetes e drones em Marib e Hadramut e desencadeiam uma cascata de condenações da Arábia Saudita, da ONU e dos Estados Unidos.

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Os rebeldes houthis do Iémen anunciaram nesta quinta-feira uma ampla ofensiva com foguetes e aeronaves não tripuladas contra instalações e acampamentos das forças governamentais nas governadorias de Marib e Hadramut, no leste e no norte do país.

O porta-voz militar do movimento, Yahya Sari, explicou nas redes sociais que "Nossas Forças Armadas realizaram uma operação militar qualitativa e de grande escala contra concentrações do inimigo saudita nas áreas de Al Ruaik, Al Abr, Al Zaniyh e outros acampamentos pertencentes às chamadas Primeira e Terceira Divisões de Emergência".

Segundo suas palavras, na ofensiva teriam morrido "centenas de mercenários sauditas" e teria sido possível "destruir e queimar um grande número de acampamentos, armazéns e armamento do inimigo", embora por enquanto não exista um balanço oficial de vítimas por parte das autoridades.

O centro de mídia da Primeira Divisão das Forças de Emergência do Iémen também reconheceu nas redes sociais que "as milícias houthis atacaram acampamentos" governamentais, confirmando que o ataque causou "perdas materiais e humanas".

De forma paralela a esse aumento da violência, o Ministério da Defesa do Governo reconhecido internacionalmente comunicou o início de uma ampla campanha de segurança que se estenderá por várias governadorias, com especial ênfase em Hadramut e Al Mahra.

Riad condena um "ataque traiçoeiro" e reforça seu apoio a Saná

O porta-voz da coalizão militar liderada pela Arábia Saudita, Turki al Maliki, denunciou em um comunicado divulgado nas redes sociais o "ataque traiçoeiro houthi" e expressou suas condolências aos parentes dos soldados iemenitas "falecidos", assim como ao Governo e à população do país.

Al Maliki reiterou ainda o "apoio inabalável" de Riad e do restante dos parceiros da coalizão ao Executivo "legítimo" do Iémen em sua luta contra a "milícia terrorista houthi".

A ONU pede contenção e evitar uma "maior" escalada

Diante do deterioro da situação, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, instou as "partes iemenitas" a agir com "moderação" e a não adotar medidas que possam resultar em uma "maior" escalada militar.

Seu porta-voz adjunto, Farhan Haq, advertiu em uma coletiva de imprensa que "a retomada dos combates poderia reverter os avanços alcançados com tanto esforço na redução da violência nos últimos anos".

Haq ha recalcado que "As partes devem priorizar o diálogo e colaborar de forma construtiva com os esforços liderados pela ONU para alcançar uma solução política negociada".

Estados Unidos qualifica de "covardes" os ataques hutis

A Embaixada dos Estados Unidos no Iémen expressou suas "mais sentidas condolências às famílias dos valentes soldados iemenitas falecidos hoje em Hadramut e Marib" e condenou com dureza a ofensiva. "Os covardes ataques dos hutis, apoiados pelo Irã, representam um exemplo mais de seu terrorismo contra o povo iemenita", assinalou nas redes sociais, ao mesmo tempo que desejou "uma rápida recuperação aos feridos".

Este novo aumento da tensão ocorre após a morte de Osama al Radfani, um alto comando das Forças Escudo da Pátria — uma força alinhada com o Governo iemenita e financiada pela Arábia Saudita — em uma emboscada na província de Hadramut durante o fim de semana.

O ministro da Informação iemenita, Muamar Al Eryani, responsabilizou o ataque à insurgência huti e o enquadrou no que descreveu como uma campanha sistemática contra altos comandos militares, responsáveis pela segurança e figuras implicadas nos esforços para restaurar a autoridade do Estado.

Em uma mensagem nas redes sociais, sustentou que "Este crime covarde revela mais uma vez a natureza terrorista desta milícia, que só acredita na lógica do terrorismo, do assassinato e do atentado, e que utiliza o caos e a violência como meios para implementar a agenda do regime iraniano no Iémen e na região".

O papel do Conselho de Transição do Sul e das Forças Escudo da Pátria

Neste contexto, o Conselho de Transição do Sul (CTS) aceitou formalmente em janeiro retirar suas milícias de bases e enclaves chave em Hadramut e Al Mahra, cedendo seu controle às Forças do Escudo da Pátria, brigadas criadas pelo Conselho de Liderança Presidencial do Iémen e operativas sob o comando da coalizão liderada pela Arábia Saudita.

Os separatistas do CTS, nos momentos álgidos da guerra iemenita, apoiaram com reservas o Governo central em troca de que fossem atendidas suas aspirações secessionistas, lembrando a existência de dois Estados, Iémen do Norte e Iémen do Sul, até 1990.

A situação se tensionou novamente no início de dezembro do ano passado, quando o CTS lançou uma ofensiva sobre as províncias orientais de Al Mahra e Hadramut, incluídas em suas reivindicações territoriais. Essa operação foi respondida por Riad, aliado do Executivo iemenita, com bombardeios sobre as áreas capturadas pelas forças independentistas.

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