Buzos especializados poderiam acessar esta terça-feira o casco do ferry afundado em Chipre

Um navio com mergulhadores especializados viaja da Turquia para tentar acessar o ferry 'Filo Jet' afundado em Chipre, com 20 desaparecidos e oito mortos.

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O primeiro-ministro turcochipriota, Ünal Üstel, informou nesta segunda-feira sobre a saída de Çanakkale, na Turquia, de um navio técnico equipado com mergulhadores profissionais para tentar acessar o interior do ferry catamarã 'Filo Jet', afundado no domingo ao norte de Chipre com dezenas de pessoas ainda presas presumivelmente em seu interior. A bordo do navio viajavam 267 pessoas e, por enquanto, contabilizam-se 20 desaparecidos e oito falecidos.

"Esperamos chegar na tarde de amanhã ao barco, que se encontra a uma profundidade de 514 metros", apontou Üstel em declarações coletadas pela imprensa turcochipriota.

O barco enviado pela Turquia está preparado para intervir a profundidades de até 1.000 metros, portanto dispõe de margem suficiente para operar na área onde se encontra o 'Filo Jet'.

Üstel sublinhou a rápida resposta das forças de segurança, do contingente militar turco enviado por Ancara no norte da ilha e o reforço de meios humanos e materiais enviados do território turco para apoiar as tarefas de busca e resgate.

Quanto às vítimas fatais, o dirigente turcochipriota destacou que já começou a entrega dos corpos a seus familiares, depois que foram divulgadas as identidades dos falecidos, todos de nacionalidade turca. Sobre os 20 desaparecidos, também foram divulgados seus nomes: trata-se de 18 cidadãos turcos e dois turcochipriotas.

Os feridos foram evacuados para o Hospital Doctor Akçiçek de Kirenia —Girne em turco—, para o Hospital Etsatal Burhan Nalbantoglu de Lefkosa e para o Hospital do Oriente Próximo, onde permanecem sob atenção médica.

Paralelamente, nesta segunda-feira foi comunicada a detenção de nove pessoas por sua suposta implicação no sinistro, enquanto a investigação oficial para esclarecer o ocorrido continua em andamento.

O ferry cobria a rota entre a cidade turcochipriota de Kirenia e o porto de Mersin, no sul da Turquia. Entre as pessoas que estavam a bordo encontravam-se 259 passageiros e oito tripulantes.

O acidente ocorreu pouco depois de zarpar, quando o navio começou a embarcar água, perdeu estabilidade, virou e acabou afundando. As primeiras conclusões apontam para uma possível ruptura no casco do barco, operado pela companhia Filo Denizcilik. Até o momento, foram resgatadas com vida 239 pessoas.

Chipre permanece dividida em duas desde 1974, quando o Exército turco ocupou o norte da ilha —os 36,2 por cento do território— após um golpe de Estado patrocinado pela junta militar que governava a Grécia e diante do temor de uma possível união da ilha com esse país.

Em 1983, a comunidade turcochipriota proclamou a República Turca do Norte de Chipre, reconhecida unicamente pela Turquia, que mantém lá cerca de 35.000 soldados. As numerosas tentativas impulsionadas pela ONU durante décadas para reunificar este território do Mediterrâneo oriental sob uma federação bizonal não prosperaram até a data.