A Armada chinesa informou nesta quarta-feira que realizará em meados de agosto manobras navais conjuntas com a Indonésia em águas situadas a leste de Taiwan, uns exercícios que Taipei qualificou de "provocação militar" ao considerar que Pequim pretende encenar que exerce jurisdição sobre a área oriental da ilha.
Segundo o Ministério da Defesa da China, nos exercícios participarão a fragata Honghe, do tipo 054A, por parte da Armada chinesa, e a fragata KRI I Gusti Ngurah Rai, pertencente à Armada indonésia. As práticas se centrarão nas comunicações e em operações de reabastecimento em alto-mar.
"O exercício tem como objetivo melhorar as capacidades de ambas as marinhas para realizar operações conjuntas, aprofundar a cooperação prática e contribuir para a manutenção da paz e da estabilidade na região", diz o comunicado divulgado pelas autoridades chinesas.
De Jacarta, a Armada da Indonésia tentou minimizar a importância do desdobramento, insistindo que se trata de manobras habituais "de trânsito" junto com outros países, programadas no âmbito da viagem de retorno ao país desde o porto russo de Vladivostok, no leste da Rússia.
"Este exercício é também um gesto de boa vontade que costumam realizar as marinhas de todo o mundo como manifestação da irmandade naval e da diplomacia marítima inerentes aos navios de guerra", detalhou o porta-voz da Armada, o contra-almirante Tunggul, ao sublinhar o caráter rotineiro e cooperativo da atividade.
Em paralelo, o Ministério das Relações Exteriores de Taiwan apontou em um comunicado que apresentou uma protesto formal e solicitou esclarecimentos à Indonésia por umas manobras que considera "maliciosas, irresponsáveis e unilaterais", ao entender que geram "instabilidade e ameaças na região".
"Taiwan manterá sua postura coerente de salvaguardar seu território, protegerá ativamente sua soberania e seus direitos soberanos no mar do Sul da China e trabalhará com todas as partes da região para garantir conjuntamente a liberdade de navegação e a segurança e estabilidade regionais nas águas pertinentes", destacou a diplomacia taiwanesa.
As relações entre Pequim e Taipé permanecem congeladas desde 1949, quando as forças do partido nacionalista chinês Kuomintang, lideradas por Chiang Kai Shek, se replegaram à ilha de Taiwan após sua derrota na guerra civil frente ao Partido Comunista da China. Desde então, o Governo chinês continua considerando Taiwan como uma província sob sua soberania.