O novo Governo de Abelardo de la Espriella formalizou nesta quarta-feira a incorporação da Colômbia à Coalizão das Américas contra os Cartéis (A3C), integrada na iniciativa conhecida como Escudo das Américas, impulsionada por Donald Trump. O Ministério da Defesa colombiano confirmou ainda um acordo bilateral com os Estados Unidos para reforçar a cooperação militar e coordenar esforços contra organizações terroristas e criminosas.
O anúncio representa uma mudança na relação de Bogotá com Washington após a etapa de Gustavo Petro. A entrada na coalizão já havia sido anunciada por De la Espriella durante a campanha e se materializa agora, apenas alguns dias após sua chegada à Presidência. O próprio Governo colombiano apresenta a nova etapa como uma resposta conjunta a ameaças que, segundo afirma, “não reconhecem fronteiras”.
O que acordaram Colômbia e Estados Unidos
O ministro da Defesa colombiano, Jorge Eduardo Mora, e o secretário de Guerra americano, Pete Hegseth, formalizaram um acordo bilateral de cooperação. Segundo o comunicado divulgado pelo Ministério da Defesa da Colômbia, o objetivo é fortalecer o trabalho conjunto entre a Força Pública colombiana e o Departamento de Guerra dos Estados Unidos por meio da troca de informações, coordenação de esforços e uma maior efetividade operacional frente a organizações terroristas e criminosas.
O documento colombiano também aponta que Bogotá colocou à disposição dessa cooperação suas capacidades e experiência para participar em esforços estratégicos no oceano Pacífico e no mar do Caribe, junto com as demais nações integrantes da coalizão.
Hegseth foi mais longe ao apresentar o acordo no Panamá. O secretário de Guerra americano assegurou que Colômbia havia solicitado a colaboração dos Estados Unidos para realizar operações militares conjuntas contra o “narcoterrorismo”. A Reuters informou ainda que o responsável americano levantou a possibilidade de operações contra grupos armados colombianos designados como organizações terroristas por Washington, entre eles o ELN e remanescentes das FARC.
Por enquanto, nem o comunicado colombiano nem as informações publicadas pelas fontes consultadas detalham um calendário de operações, o número de militares americanos que participariam ou as regras concretas de atuação. Por isso, não se pode afirmar que já exista um desdobramento de tropas americanas para realizar ataques em território colombiano.
O que é o Escudo das Américas
A incorporação da Colômbia ocorre dentro de uma iniciativa promovida pela Administração Trump para reunir países do continente na luta contra os cartéis e as redes criminosas transnacionais. Com a Colômbia, a coalizão atinge 19 membros.
O Ministério da Defesa colombiano quis deixar expressamente registrado em seu comunicado que a nova cooperação não implica uma cessão de soberania. O documento aponta que as ações serão desenvolvidas com respeito à soberania nacional, à Constituição, ao Direito Internacional e à ordenação jurídica de cada país.
O Departamento também afirma que a cooperação internacional “não substitui nem isenta” a responsabilidade soberana da Colômbia de garantir a segurança de seus cidadãos. A precisão adquire especial relevância diante das críticas que já surgiram no país sobre uma possível presença militar americana.
A questão jurídica dependerá, além disso, do alcance concreto da cooperação. O acordo conhecido até agora fala de intercâmbio de informações, coordenação e operações conjuntas, mas não foi tornado público um documento que permita determinar se haverá um desdobramento permanente de tropas americanas ou que tipo de presença terão no terreno.