O presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella, apresentou neste domingo suas desculpas públicas às pessoas que se sentiram ofendidas pelo espaço religioso celebrado no dia de sua posse, no passado 7 de agosto. Ele o faz depois que um juiz lhe ordenou expressamente pedir perdão ao considerar que com tal ato se vulnerou a "neutralidade religiosa".
"Se este ato pôde gerar desconforto ou se ofendeu alguma pessoa, na minha condição de chefe de Estado, ofereço desculpas por isso", destacou o dirigente ultradireitista em uma mensagem à nação, intervenção que concluiu com as expressões "que viva Cristo Rei" e "que Deus abençoe a Colômbia".
A cerimônia questionada ocorreu na cidade de Cali e incluiu um ato religioso no qual intervieram vários líderes espirituais, que realizaram uma manifestação de fé e uma oração conjunta. No entanto, De la Espriella defendeu que "a cerimônia de transmissão de mando correspondeu a um ponto da ordem do dia da sessão conjunta do honroso Congresso da República aprovado em 7 de agosto" e que "a elaboração da ordem do dia corresponde a uma das faculdades das mesas diretoras dessa honrosa corporação e incluiu um ponto denominado invocação".
O mandatário ressaltou ainda que, apesar de sua fé pessoal, respeita a separação entre Igreja e Estado. "Embora me identifique como crente, sou católico. Respeito a separação entre a Igreja e o Estado e garantirei no âmbito de minhas funções as liberdades e os direitos de todos os colombianos sem qualquer distinção, incluindo a liberdade de professar qualquer religião ou de não professar nenhuma", reiterou, sublinhando igualmente que a Constituição colombiana "ampara" seu "direito a professar livremente" sua religião e "a fazê-lo de maneira pública e privada".
A resolução judicial que o obriga a se desculpar foi conhecida há apenas uma semana. Nela, o juiz ordenava ao chefe do Executivo colombiano pedir perdão ao país por "vulnerar a neutralidade religiosa" durante o ato de posse, estimando assim a demanda de um cidadão que recorreu aos tribunais ao considerar que ocorreu uma "violação dos direitos fundamentais à liberdade de consciência e culto".
Segundo se detalha na sentença, na cerimônia foi incorporado um segmento denominado "invocação e louvor", no qual participaram representantes de três confissões distintas, além de ser exibida uma imagem da Virgem de Fátima no local onde se desenvolveu o evento oficial.