O Estado Maior das Forças Armadas do Irã denunciou neste domingo que as autoridades do Catar estariam "obstaculizando" os procedimentos para conseguir a liberação de três pilotos de combate supostamente retidos por este país durante as primeiras semanas da guerra contra os Estados Unidos e Israel. Doha rejeita essas acusações, enquanto Teerã reclama que uma equipe de elite de sua Força Aérea possa acessar o território catariano para "investigar" diretamente no local.
O comandante da Comissão de Busca de Pessoas Desaparecidas do Estado Maior, o general Mohamad Bagherzade, manifestou em declarações divulgadas pela agência de notícias Tasnim que "Em vez de negar o assunto e obstaculizar a busca pela verdade, o governo catariano deveria permitir que a equipe de especialistas e investigadores da Força Aérea da República Islâmica do Irã parta em direção ao Catar".
Bagherzade sublinhou que este grupo de "elite" está "há vários meses esperando" para se deslocar e realizar uma "investigação no local". Na sua opinião, "Devido ao sabotagem e à dilação constantes por parte das autoridades catarianas, não foram dadas as condições para o retorno de nossos valentes pilotos ao país".
O responsável militar também solicitou o "acompanhamento imediato" do caso por parte do Comitê Internacional da Cruz Vermelha, ao qual pediu que possa entrevistar os pilotos iranianos no Catar o mais rápido possível e que informe à República Islâmica do Irã "sobre as condições para sua rápida liberação em consonância com as missões humanitárias e a cooperação bilateral".
Essas afirmações ocorrem após as autoridades iranianas anunciarem que três de seus pilotos de combate teriam sido capturados pelo Catar nas primeiras semanas da ofensiva conjunta dos Estados Unidos e Israel contra o país.
Segundo um comunicado da comissão, no dia dois de março, dois aviões de combate Sukhoi 24 "se acidentaram" em território catariano após completar com sucesso uma missão contra uma base militar. No acidente, um dos pilotos morreu, enquanto os outros teriam sido "capturados vivos pelas forças catarianas".
Aquele mesmo dia, o Qatar informou sobre a derrubada de dois aparelhos iranianos, sem fornecer mais detalhes sobre o ocorrido até este sábado, quando o porta-voz de Exteriores, Majed al Ansari, confirmou que as equipes de busca e resgate localizaram o cadáver de um dos pilotos e que houve tentativas falhadas de repatriar o corpo para o Irã devido à falta de comunicação com as autoridades iranianas. No entanto, o porta-voz negou que os outros três militares tenham sido detidos.