Mais de 300 médicos da rede hospitalar pública do Paraguai apresentaram sua demissão em bloco como gesto de apoio à greve sanitária que começou há uma semana, com a qual exigem uma melhoria profunda do sistema público de saúde do país sul-americano.
"Isto não é extorsão, isto é uma manifestação de insatisfação do gremio médico. O que queremos nós é que reagem, que deem uma resposta, pela população e também por nós", destacou a secretária geral do Sindicato Nacional de Médicos (Sinamed), Rosanna González, citada pela imprensa paraguaia.
A dirigente sindical, acompanhada por outros facultativos, compareceu nesta segunda-feira à sede do Ministério da Saúde Pública e Bem-Estar Social para registrar formalmente uma carta de renúncia.
"Eu tenho meu consultório, vou ser um médico de bairro e vou ganhar mais do que me paga essa gente", afirmou o cirurgião pediátrico Ernesto Waldemar Argüello Duarte, que trabalha no Hospital de Trauma e no Hospital Acosta Ñu, justificando sua postura com a ideia de que "dinheiro há onde não se rouba".
Diante dessa situação, o diretor de Gabinete de Saúde Pública, Juan Marcelo Estigarribia, indicou que deverão revisar a documentação entregue e ressaltou que não serão admitidas renúncias coletivas, dado que não existe um contrato coletivo de trabalho que as ampare.
Além disso, Estigarribia questionou a atitude "arbitrária" da Sociedade Paraguaia de Anestesiologia, que advertiu sobre a possível expulsão daqueles membros que aceitarem os postos que ficarem livres após a onda de demissões.
O coletivo médico reclama um aumento salarial e uma melhoria das condições de trabalho, incluindo mais insumos e equipamentos nos hospitais, assim como o pagamento dos dias festivos trabalhados. Em concreto, propõem elevar o salário de 5 a 8 milhões de guaranis --de 724 a 1.163 euros-- e diminuir a temporalidade e a precariedade dos contratos. A ministra da Saúde Pública, María Teresa Barán, sustentou que essa reivindicação é "pouco aplicável".