O Exército do Iémen anuncia mais de 130 ofensivas contra posições houthis em um único dia

Yemen intensifica seus ataques contra os hutíes enquanto a ONU alerta sobre o aumento de vítimas civis e exige uma desescalada imediata do conflito.

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O Exército do Iémen comunicou nesta segunda-feira que, no último dia, executou mais de 130 ações militares dirigidas contra posições da insurgência houthi, sem oferecer por enquanto um balanço de vítimas decorrentes dessas operações.

"Realizamos 133 operações militares contra as capacidades e os elementos da milícia terrorista houthi nas últimas 24 horas", afirmou o porta-voz das Forças Armadas do Iémen, o coronel Abdulá Al Nuzaili, em uma mensagem nas redes sociais.

Segundo detalhou, as forças governamentais empregaram lançadores de foguetes, peças de artilharia e drones para "destruir as fontes de ameaça", com o apoio de distintas unidades do Exército iemenita —reconhecido internacionalmente— desdobradas ao longo das linhas de frente.

Esta nova onda de bombardeios ocorre apenas dois dias depois de que o próprio Exército informasse sobre mais de 180 ataques contra enclaves controlados pelos houthis, que teriam provocado, de acordo com sua versão, "dezenas" de feridos e mortos entre os combatentes rebeldes.

Em paralelo, nesta mesma segunda-feira a milícia houthi assegurou ter lançado um ataque com mísseis contra um navio de guerra saudita em frente ao porto da cidade de Moca, no sudoeste do país, incidente no qual teriam se visto implicadas também outras quatro embarcações que atuavam de "escolta" da embarcação principal.

TURK CHAMA A REDUZIR AS TENSÕES

O Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Turk, alertou que a intensificação das hostilidades no Iémen "está matando e ferindo um número crescente de civis", pelo que urgiu a todos os atores do conflito a "reduzir as tensões e evitar que o povo iemenita sofra mais penúrias".

Turk lamentou que, desde 6 de agosto, pelo menos 17 civis morreram em ataques perpetrados pelos houthis contra áreas sob controle do Governo iemenita. Essas vítimas se somam a outras duas registradas em julho em zonas dominadas pela oposição.

"Faço um apelo a todas as partes para que reduzam as tensões e evitem que o povo iemenita sofra mais penúrias", declarou Turk acrescentando que "o povo iemenita já sofreu demais pelo devastador legado de anos de conflito, deslocamento e crise humanitária".

Com um mínimo de 18 milhões de pessoas em situação de insegurança alimentar, o responsável da ONU avisou que os ataques contra instalações civis podem "agravar uma situação já de por si grave", e insistiu que essas ações devem cessar "imediatamente".

Os últimos relatórios das Nações Unidas indicam ainda que o governo iemenita realizou "quase 200 ataques contra posições houthis em um período de 24, matando e ferindo dezenas de pessoas e destruindo equipamentos militares e depósitos de armas", segundo a organização em um comunicado.

A ONU lembra igualmente que a prolongada crise política e humanitária iniciada em 2011 obrigou a fugir "milhões de pessoas, devastou a economia e deixou cerca de 20 milhões de pessoas em necessidade de assistência humanitária".

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