Planas “trabalhará até o final da Legislatura” pela Lei da Agricultura Familiar que se emperra

O ministro afirma que a promessa eleitoral e o projeto estrela de sua pasta estão atrasados devido às mudanças da futura Política Agrícola Comum, PAC, ignorando a falta de apoio no Congresso e no setor agrícola.

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Planas defiende el plan anticrisis y asegura que ciudadanos y empresas están protegidos

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A Lei de Agricultura Familiar nacional, projeto estrela do ministro da Agricultura, Luis Planas, para a atual legislatura está prestes a ficar em água de borrajas. Segundo afirmou o próprio Planas no final de junho diante dos afiliados da UPA (organização agrária muito reivindicativa com a existência da futura normativa) “trabalharemos nisso até o final da Legislatura”, acrescentando que todas as políticas de sua pasta já têm como epicentro a agricultura familiar e profissional.

Nesse sentido, não é surpreendente que desde a União de Pequenos Agricultores (coletivo que também está vinculado ao partido socialista) vem lembrando há alguns meses que "A lei de Agricultura Familiar é um compromisso de investidura do presidente do Governo, Pedro Sánchez", pelo que renunciar a ela seria fazê-lo a um dos compromissos eleitorais do PSOE.

Segundo as informações divulgadas pelo próprio Ministério da Agricultura, em março de 2025 se abriu o processo de consulta pública prévio ao desenho do anteprojeto de Lei de Agricultura Familiar, recebendo 67 contribuições de entidades e organizações do setor e da sociedade civil. Até o momento, pouco mais se sabe sobre o trabalho da prometida normativa.

De PAC 2023-2027 a PAC 2028-2034

A última reforma da Política Agrária Comum (principal política de ajudas para o campo espanhol nos últimos 50 anos, cujo peso orçamentário é tão importante que Bruxelas a modifica e ajusta sempre que se aprova o Marco Financeiro dos 27) entrou em funcionamento em 2023, três anos mais tarde do que o previsto. Esse atraso se deveu a várias questões: a pandemia de 2020, as eleições para o Parlamento Europeu com a consequente mudança de Comissão e um novo funcionamento da PAC, que desde 2023 conta com um programa específico para cada país (PEPAC) com o qual se pretende ajustar melhor as ajudas econômicas à realidade agroalimentar de cada estado membro.

Por isso, surpreendeu que, aos seis meses de entrar em vigor a PAC 2023-2027 e após todos os trabalhos e debates realizados entre 2017 e 2022 sobre a estrutura agrária na Espanha, o já então ministro da Agricultura, Luis Planas, lançasse como promessa eleitoral uma Lei de Agricultura Familiar que complementaria uma PAC recentemente reformada.

O objetivo da futura Lei seria, por um lado “atualizar a Lei de Modernização de Explorações Agrárias de 1995” e por outro identificar quem é agricultor profissional, quem o é a título principal ou a tempo parcial, qual é o papel da mulher no mundo rural e outros assuntos já debatidos para o design e redação do Plano Estrutural da PAC da Espanha, PEPAC, 2023-2027.

Três anos depois de levantar a necessidade de uma Lei de Agricultura Familiar complementar à PAC que ajude a definir quais são as entidades prioritárias para as quais devem ser direcionadas mais as ajudas europeias, Planas se escuda no fato de que agora, antes de pôr as mãos à obra, é preciso contar com as mudanças que pode apresentar a futura PAC 2028-2034 que já começou a ser debatida em Bruxelas. "Quando apresentar um projeto de Lei não levará páginas em branco e para isso temos que concluir a negociação da futura PAC", argumentou o ministro da Agricultura no passado 25 de junho aos afiliados da UPA.

“Pode que amanhã seja tarde”, apostillaram então desde dita organização agrária.

Outras leis de agricultura familiar

Na Espanha já existem duas leis de Agricultura Familiar lideradas por governos socialistas, mas de âmbito autonômico: a Lei de Agricultura Familiar e de Acesso à Terra de 2023 de Castilla La Mancha, e a Lei de proteção e modernização da agricultura social e familiar e de patrimônio agrário de Aragón, também de 2023, mas modificada recentemente e com uma nova equipe do Partido Popular à frente do Governo de Aragón.

No seu momento, ambos projetos geraram bastante debate porque pretendem concentrar as ajudas públicas no modelo da agricultura familiar, que é o sistema tradicional espanhol e europeu, que além disso garante a manutenção do meio rural.

O conceito “familiar” é adequado?

No entanto, sendo certo que esse é o modelo tradicional, também é verdade que a realidade do campo está em contínua transformação. De fato, enquanto a UPA é a organização agrária que há anos ergue a bandeira da Agricultura Familiar, a COAG a abraça com mais ou menos entusiasmo e a ASAJA aposta por uma gestão agrária empresarial, seja de uma família ou de uma sociedade.

Na verdade, algumas vozes entendidas na matéria asseguravam que uma lei que centralize o modelo de sua agricultura no conceito "família" pode resultar em um fracasso, já que, por exemplo, há explorações familiares vinculadas a proprietários aristocráticos; a atividade agrária está intimamente relacionada com a posse de terra, de maneira que, até hoje, são poucas as pessoas alheias ao setor que podem se incorporar a ela e se apoiar a agricultura familiar, ainda serão mais; além disso, em algumas fazendas familiares, a "ajuda familiar" não termina por ser um trabalho remunerado e se torna invisível, etc.

Tudo isso leva a deduzir que, embora se pudesse preservar o modelo de agricultura familiar porque é o tradicional e ajuda a manter vivo o campo e o meio rural, assim como ocorre em outros âmbitos econômicos, a realidade incorpora outros fatores a serem considerados e dificultam tanto a definição quanto os limites de qual é o tipo de agricultura que mais deve ser apoiado.

Leis agrárias aprovadas por Planas

Luis Planas (atualmente muito centrado em sua carreira como possível diretor geral da FAO) se orgulha de ser um dos ministros da Democracia que mais tempo esteve à frente da pasta da Agricultura.

Também se orgulha das leis que aprovou durante seu mandato: a da PAC 2023-2027 (que é quase uma aprovação obrigatória para todo estado membro); a reforma da Lei de 2013 de medidas para melhorar o funcionamento da Cadeia Alimentar; a Lei de Pesca Sustentável e Pesquisa Pesqueira de 2023 e a de Prevenção das perdas e do desperdício alimentar, de 2025.

Apesar de considerá-las um marco, Planas reconhece que “leis, as justas, porque são muito complicadas de negociar. Apresenta um projeto de lei, te apresentam uma emenda e te descontrolam”. Talvez essa dificuldade, junto à fraqueza de um governo que não consegue a maioria no Congresso dos Deputados, seja o que há no fundo de uma Lei de Agricultura Familiar em água de borrajas.

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