Os social-democratas criticam a Itália e a Comissão Europeia pela sua gestão da crise migratória em Ceuta

Os social-democratas questionam os controles da Itália após a crise de Ceuta e exigem à Comissão Europeia que proteja o espaço Schengen.

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O grupo dos Socialistas e Democratas (S&D) no Parlamento Europeu enviou este sábado uma carta à presidenta da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, na qual colocam em dúvida a legalidade dos controles fronteiriços instaurados pela Itália em relação à Espanha após a crise migratória de Ceuta, e exigem que atue em defesa da integridade do espaço Schengen.

Na missiva, os eurodeputados socialistas censuram as decisões "unilaterais" e, a seu ver, injustificadas adotadas pelo Governo italiano, e respaldadas por um total de 22 Estados membros, ao ativar restrições fronteiriças após a eclosão da crise.

Os social-democratas lembram igualmente que Ceuta fica fora do espaço europeu de livre circulação, pelo que questionam a reintrodução de controles internos quando, segundo sublinham, a própria Comissão reconheceu que "ninguém chegou à península nem ao resto da UE" e um documento assinado por 22 Estados membros admite a inexistência de movimentos secundários irregulares.

"Lembrou que Ceuta não faz parte do espaço Schengen. Se estes são os fatos, sobre quais fundamentos objetivos se justificou o restabelecimento dos controles nas fronteiras internas? O Código de Fronteiras de Schengen apenas permite tais medidas quando existe uma ameaça grave à ordem pública ou à segurança interna, e unicamente de acordo com os princípios de necessidade, proporcionalidade e caráter temporário", criticaram em um comunicado publicado em suas redes sociais.

O grupo social-democrata, no qual se integra o Partido Socialista espanhol, lamenta também a ausência de apoio a Madrid e denuncia que, enquanto a Espanha mostrou solidariedade em crises anteriores —como a realocação de migrantes da Bielorrússia em 2021 ou de Lampedusa em 2023—, agora "se encontra no banco dos réus" pela atuação de governos que, segundo afirmam, optam pela confrontação em vez da responsabilidade compartilhada.

"Portanto, pedimos à Comissão que esclareça se realmente foram cumpridas essas condições jurídicas e, em caso contrário, que exerça plenamente sua função de guardiã dos Tratados. Este caso levanta uma questão mais ampla: O que aconteceu com a Europa que uma vez conhecemos?", acusaram, aludindo à decisão da Itália sob o guarda-chuva de Bruxelas.

No final da carta, os eurodeputados contrapõem a abordagem institucional do presidente do Governo espanhol, Pedro Sánchez, com os discursos que fomentam o ódio, e apontam expressamente o empresário Elon Musk por difundir imagens que desumanizam as pessoas migrantes ao representá-las como "zumbis".

"A política deve governar os desafios, não alimentar o medo", concluíram os eurodeputados, que esperam uma clarificação pública e rápida por parte da Comissão.

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