Os presidentes da China, Xi Jinping, e da Rússia, Vladimir Putin, celebraram nesta segunda-feira um encontro em Bishkek, capital do Quirguistão, onde consolidaram sua cooperação bilateral aproveitando sua presença na cúpula da Organização de Cooperação de Xangai (OCS) neste país da Ásia Central.
Xi recordou que Putin viajou à China em março passado para assinar acordos que regerão "a longo prazo" a relação entre ambos os Estados e reforçarão a colaboração em diferentes campos diante das "novas circunstâncias", segundo informou a agência oficial chinesa, Xinhua.
O mandatário chinês sublinhou que a implementação desses pactos já gerou "muitos resultados" e que os laços entre Pequim e Moscovo se desenvolveram com "vigor" desde então.
"Acredito que sob nossa orientação estratégica e o esforço conjunto das duas partes, os alicerces para o desenvolvimento das relações China-Rússia serão mais sólidos, haverá um ritmo mais decidido e as perspectivas serão mais brilhantes", afirmou Xi durante a reunião.
O líder chinês também aludiu às "mudanças profundas" que abalam o cenário mundial e às "incertezas e fatores imprevisíveis da situação internacional", embora tenha defendido que deve prevalecer "a paz, o desenvolvimento, a cooperação e os resultados win-win".
Nesse contexto, ele atribuiu à OCS a "missão" de "manter a estabilidade e fomentar o desenvolvimento regionais". "A China aspira a colaborar com todas as partes, incluindo a Rússia, para debater o plano de desenvolvimento da OCS, ajudar a organização a alcançar avanços contínuos e a longo prazo, reforçar sua função na governança global e fomentar um mundo multipolar equitativo e ordenado", destacou.
Putin, por sua vez, ressaltou que, apesar da conjuntura internacional "turbulenta e complexa", a China e a Rússia continuaram "aprofundando sua cooperação integral estratégica" com base na "igualdade, confiança e apoio mútuo".
O presidente russo também propôs a Xi transformar em definitivo o atual regime temporário de isenção de vistos entre os dois países, "se a China considerar possível e útil", segundo declarações divulgadas pela agência russa TASS. Ele destacou que as viagens turísticas entre ambos os territórios aumentaram 43% na primeira metade do ano graças à suspensão da exigência de visto.
Para Putin, os vínculos entre Moscovo e Pequim "se tornaram um modelo de relação entre estados". "A Rússia aspira a manter as trocas de alto nível com a China, reforçar a cooperação comercial, energética, industrial, de transportes, ciência, tecnologia e outros âmbitos, melhorar as trocas entre os povos e fomentar novas conquistas nas relações bilaterais", indicou.
"Temos muitos projetos importantes em energia, indústria, espaço, transporte e logística", acrescentou o dirigente russo, que colocou o foco no comércio agrícola, com um aumento de 34%, assim como na inovação digital e na inteligência artificial, que "abre novas oportunidades de desenvolvimento econômico".
Putin elogiou igualmente o papel da OCS, que, em sua opinião, "se tornou uma plataforma de cooperação regional muito influente e eficaz". A seu entender, a Rússia e a China "devem continuar reforçando a unidade e a cooperação dentro da organização e desempenhar um papel de liderança", e expressou sua intenção de intensificar a coordenação com Pequim em outros fóruns como a ONU, os BRICS e o G20.