A presidenta do México, Claudia Sheinbaum, confirmou nesta quarta-feira que o ministro das Relações Exteriores, Roberto Velasco Álvarez, manteve conversas com a nova mandatária do Peru, Keiko Fujimori, com o objetivo de avançar na normalização das relações diplomáticas entre os dois países.
O Executivo peruano decidiu romper os laços bilaterais em novembro de 2025, depois que o México concedeu asilo em sua Embaixada em Lima à ex-primeira-ministra Bettsy Chávez, acusada de ser coautora da tentativa de golpe de Estado do ex-presidente Pedro Castillo no final de 2022.
"O secretário de Relações Exteriores falou pessoalmente com a presidenta do Peru e estamos avançando (...) para que a pessoa que está em nossa Embaixada, que hoje está resguardada pelo Brasil, possa receber o salvoconducto para vir ao México. Vamos ver como isso se desenvolve", destacou em declarações à imprensa, referindo-se ao caso de Chávez.
Sheinbaum insistiu que a nova presidenta peruana está ciente de que o México mantém uma "posição" crítica em relação à condenação de mais de onze anos de prisão imposta ao ex-presidente Castillo por sua tentativa fracassada de autogolpe.
"É uma posição que nós estabelecemos, mas além disso, não queremos a ruptura das relações. Nesse contexto é que estamos conversando e espero que em breve possamos dar mais notícias", ressaltou a chefe do Estado mexicano.
No seu momento, a Secretaria de Relações Exteriores do México rejeitou a decisão de Lima de dar por encerrados os vínculos diplomáticos, ao considerar em um comunicado que se tratava de uma reação "excessiva e desproporcional" diante de um "ato legítimo e em conformidade com o Direito Internacional".
"O México reafirma, como foi reconhecido pela Assembleia Geral das Nações Unidas, que a concessão de asilo não pode ser considerada um ato hostil por nenhum outro Estado", sublinhou então a diplomacia mexicana, lembrando que ambos os países são parte da Convenção sobre Asilo Diplomático de 1954.
As autoridades peruanas, por sua vez, descartaram qualquer intervenção na Embaixada do México em Lima, afastando a possibilidade de uma operação semelhante à realizada pelo Equador em abril de 2024, quando forças policiais e militares invadiram a legação mexicana em Quito para deter o ex-vice-presidente equatoriano Jorge Glas.
"Peru é um país respeitoso com o Direito Internacional e uma ação desse tipo não está prevista em nenhuma norma do Direito Internacional", afirmou o ex-ministro das Relações Exteriores Hugo de Zela durante uma coletiva de imprensa.
Apesar disso, o então presidente peruano José Jerí ordenou a expulsão da encarregada da Embaixada do México em Lima, Karla Onela. "Foi informada hoje pelo chanceler de que tem um prazo peremptório para abandonar nosso país", indicou em suas redes sociais.