Sira Rego cifra em 1.200 os menores que ficam por identificar em Ceuta e reclama trasladar para a Península 500 meninas

A ministra da Juventude e Infância situa em 1.478 os menores já identificados e propõe o traslado urgente de 500 meninas com "especial vulnerabilidade"

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A ministra da Juventude e Infância, Sira Rego, cifrou em cerca de 1.200 os menores migrantes que ainda estariam pendentes de identificar em Ceuta, que se somariam aos 1.478 que já figuram no sistema de proteção da cidade autônoma. A titular do departamento ofereceu esses dados nesta segunda-feira durante sua comparecência perante a Comissão de Juventude e Infância do Congresso, onde explicou a resposta do Governo após a entrada massiva de pessoas migrantes registrada no final de julho.

A cifra de menores pendentes de filiação é uma estimativa do Executivo. Rego reconheceu que o processo de identificação deveria ter se desenvolvido com maior rapidez e levantou a necessidade de aliviar a pressão que suporta o sistema de acolhimento de Ceuta mediante o traslado de menores para outros pontos da Espanha.

A ministra defendeu que "é imprescindível" acolher na Península os menores não acompanhados que permanecem na cidade, tanto para reduzir a pressão sobre os recursos ceutianos quanto para garantir sua atenção.

Rego propõe trasladar 500 meninas "especialmente vulneráveis"

Dentro dessa estratégia, Rego reivindicou ao Governo de Ceuta que autorize o traslado para a Península de 500 meninas das 760 que permanecem atualmente na cidade, ao considerar que apresentam um "perfil de especial vulnerabilidade".

A ministra explicou que a operação poderia ser realizada através de uma entidade e ser iniciada de forma "mais ou menos imediata" uma vez completada a primeira parte do expediente em Ceuta. As menores seriam acolhidas em centros de pequeno porte distribuídos por diferentes pontos do país.

Segundo Rego, essa medida está pendente do consentimento do PP, que governa em Ceuta, para poder ser executada.

A ministra detalhou que das 760 meninas que permanecem na cidade, cerca de 300 se encontram em entidades comunitárias e estão "supervisionadas ou custodiadas pela Polícia". Outras 360 estão dentro do sistema de acolhimento de Ceuta e, delas, 233 têm menos de 12 anos.

Rego apontou que muitas dessas menores procedem de situações especialmente difíceis. Citou casos de meninas que fogem de violência sexual, casamentos forçados, maus-tratos ou situações de rua, além de referir-se à presença de um número elevado de meninas LGTBIQA+.

Uma estimativa de 1.200 menores pendentes de identificar

A cifra de menores que ainda não foram identificados gerou uma troca entre Rego e a deputada do PP Ana Alós durante a comissão parlamentar.

Alós questionou os diferentes números oferecidos nas últimas semanas por representantes do Governo e perguntou à ministra quantos menores permanecem realmente em Ceuta.

Rego explicou que os 1.200 menores pendentes de filiação constituem uma estimativa, enquanto os 1.478 menores identificados são os que figuram atualmente no sistema.

O presidente do Governo, Pedro Sánchez, havia indicado anteriormente que em Ceuta permaneciam cerca de 5.000 pessoas, das quais 1.200 seriam menores não acompanhados. Rego diferenciou esta estimativa do número de menores já incorporados ao sistema de proteção.

A ministra reconheceu que o procedimento de identificação foi mais lento do que gostaria. Ao mesmo tempo, lembrou que se trata de mais de 2.000 crianças cuja situação deve ser determinada.

O Governo defende a distribuição entre comunidades

Rego defendeu o mecanismo vinculativo de distribuição de menores aprovado pelo Governo e sustentou que permite evitar que as comunidades autônomas fronteiriças tenham que assumir sozinhas situações de pressão extraordinária.

Segundo explicou, este sistema já permitiu acolher mais de 2.000 menores em todo o território durante o último ano, sem incidentes relevantes.

A ministra também apresentou outras alternativas para descongestionar o sistema de Ceuta, entre elas os acordos bilaterais de cooperação entre comunidades autônomas e a acolhida familiar.

Neste último caso, assegurou que seu departamento recebeu pedidos de famílias de diferentes pontos da Espanha interessadas em acolher menores e que está trabalhando com associações especializadas para estudar como poderia ser articulado o procedimento.

Rego insistiu que os processos administrativos dos menores podem continuar sendo tramitados fora de Ceuta uma vez iniciados na cidade. Por isso, defendeu que "Ceuta não pode carregar sozinha com este peso porque é injusto e materialmente é impossível".

Reunificação familiar e retorno ao Marrocos

A situação dos menores também enfrentou o Governo com o PP e o Vox pelas fórmulas para resolver sua situação.

Rego defendeu que qualquer retorno ou processo de reunificação familiar deve ser realizado atendendo ao "interesse superior" da criança. Nesse sentido, rejeitou que possam ocorrer devoluções automáticas sem ter identificado previamente as crianças e verificado as condições de seu retorno.

A ministra também lembrou que a Espanha havia enviado a Marrocos cerca de 600 processos antes de 30 de julho para verificar a situação familiar de crianças. Segundo afirmou, a resposta recebida por parte das autoridades marroquinas foi "o silêncio".

Rego defendeu que, quando uma reunificação familiar for segura, deve ser realizada, mas advertiu que enquanto esses trâmites são completados, as crianças precisam permanecer sob proteção.

Nesse contexto, reclamou que as crianças sejam transferidas para outros pontos da Espanha enquanto continuam os procedimentos administrativos, especialmente levando em conta que os processos de reunificação familiar podem se prolongar.

"As meninas e meninos não são invasores"

A ministra também respondeu durante sua apresentação às posições do PP e Vox sobre o destino das crianças que chegaram a Ceuta.

"As meninas e meninos não são invasores, são sujeitos de direito", afirmou Rego, que definiu as crianças que chegaram sozinhas como vítimas de situações de exploração, abandono ou abuso.

A ministra acrescentou que nenhum deles provocou a crise e defendeu que "nossa primeira obrigação é não confundir os responsáveis com as vítimas".

Vox, por sua vez, defendeu o retorno das crianças a Marrocos. A deputada Blanca Armario acusou o Governo de "alta traição" e sustentou que manter as crianças na Espanha implica, em sua opinião, "cooperar com o invasor e as máfias".

A deputada do PP Ana Alós defendeu que o caminho para proteger as crianças é a reunificação familiar e criticou que a acolhida sem ativar o retorno possa transformar as crianças em "um instrumento de pressão".

Desde Junts, Josep Maria Cervera reclamou antecipar-se à situação e questionou como será realizada a distribuição das crianças, enquanto o porta-voz de Sumar, Nahuel González, rejeitou a "desumanização" do PP e Vox e defendeu que existem territórios com capacidade para assumir novas acolhidas.

Ceuta eleva sua capacidade de acolhida

A comparecência de Rego ocorre no mesmo dia em que o Ministério da Inclusão, Segurança Social e Migrações anunciou um aumento da capacidade temporária de acolhimento em Ceuta.

Os novos recursos permitem dispor de até 3.300 vagas temporárias, distribuídas entre Loma Colmenar, com 1.200; Loma Margarita, com 1.300; mais de 500 vagas adicionais no CETI e outras 320 na La Hípica.

Essas vagas se somam às cerca de 500 vagas habituais do Centro de Estadia Temporária de Imigrantes. O objetivo do Governo é elevar progressivamente a capacidade de atendimento humanitário temporário até as 6.000 vagas.

A ampliação desses recursos é proposta enquanto continua o processo de identificação e encaminhamento das pessoas que permanecem em Ceuta e se tenta aliviar a pressão sobre o sistema de proteção de menores da cidade autônoma.