POLITICO abre a polêmica ao definir Ceuta e Melilla como "posses coloniais" apesar de afirmar que são "inequivocamente espanholas"

Um episódio do Brussels Playbook Podcast questiona qual seria a resposta da OTAN se Marrocos tentasse se apoderar de Ceuta e Melilla. Durante o debate, as jornalistas da POLITICO descrevem ambas as cidades como "posses coloniais espanholas", embora também sustentem que são "inequivocamente espanholas", uma combinação de afirmações que provocou críticas entre parte da audiência.

3 minutos

fotonoticia 20260806112802 1920

fotonoticia 20260806112802 1920

Adicione DEMOCRAT no Google

Pergunte à FREN

Publicado

Última atualização

3 minutos

Mais lido

Ceuta e Melilla protagonizaram um dos últimos episódios do Brussels Playbook Podcast, o espaço de análise política do POLITICO Europe, depois que suas apresentadoras analisaram o papel das duas cidades autônomas no atual contexto geopolítico entre Espanha, Marrocos, a OTAN e os Estados Unidos. No entanto, o conteúdo foi além do debate estratégico e acabou gerando polêmica pela terminologia utilizada para se referir a ambos os territórios.

Durante a conversa, as jornalistas Zoya Sheftalovich e Sarah Wheaton levantam um cenário hipotético em que Marrocos tentaria se apoderar de Ceuta e Melilla e se perguntam quem realmente acudiria em ajuda da Espanha. Nesse contexto, descrevem ambas as cidades como "Spanish colonial holdings" ("posses coloniais espanholas"), embora poucos segundos depois afirmem de forma literal que "são partes plenamente integradas da Espanha" e que "são inequivocamente espanholas". Essa aparente contradição no discurso provocou uma onda de comentários críticos por parte de alguns ouvintes.

Um debate sobre a OTAN que termina abrindo outro sobre a soberania de Ceuta e Melilla

O bloco do podcast começa analisando o status de Ceuta e Melilla e o compromisso de defesa da OTAN. As apresentadoras lembram que a Aliança Atlântica confirmou em 2024 que ambas as cidades estão cobertas pelo artigo 5, a cláusula de defesa coletiva que prevê a resposta conjunta dos aliados em caso de ataque.

No entanto, a análise introduz imediatamente uma dúvida sobre a aplicação prática desse compromisso. As jornalistas se perguntam se os aliados europeus estariam realmente dispostos a enfrentar um Marrocos apoiado pelos Estados Unidos em um cenário de máxima tensão, uma reflexão que situam no contexto das atuais relações internacionais da Espanha.

Ao longo da conversa, também sustentam que o Governo de Pedro Sánchez enfrenta várias frentes diplomáticos abertos, citando as diferenças com alguns parceiros europeus em matéria migratória, a política em relação à China, o reconhecimento do Estado palestino ou o debate sobre o gasto espanhol em Defesa.

A expressão "posses coloniais" centra as críticas

O momento que mais controvérsia gerou chega quando uma das participantes levanta a seguinte pergunta: "Os países europeus vão enfrentar um Marrocos apoiado por Washington para proteger as possessões coloniais espanholas?". A utilização da expressão "Spanish colonial holdings" tem sido o elemento que mais reações provocou entre os seguidores do podcast.

A polêmica aumenta porque, apenas alguns segundos antes, as próprias jornalistas haviam lembrado que Ceuta pertence à Espanha desde 1668 e Melilla desde 1497, além de afirmar expressamente que ambas as cidades "estão plenamente integradas na Espanha" e que "são inequivocamente espanholas".

Essa combinação de mensagens levou a numerosos usuários a questionar o enfoque do episódio e a considerar incompatível o uso do termo "possessões coloniais" com o reconhecimento explícito da soberania espanhola sobre ambos os territórios.

A Marcha Verde, o Saara e o papel dos Estados Unidos

Durante a análise, o podcast estabelece um paralelismo com a Marcha Verde de 1975, quando Marrocos mobilizou centenas de milhares de pessoas em direção ao então Saara Espanhol. As apresentadoras lembram que o território continua sendo objeto de disputa e mencionam o apoio mostrado pela Administração de Donald Trump à posição marroquina sobre o Saara Ocidental.

O episódio também faz referência ao congressista americano Mario Díaz-Balart, a quem atribui declarações nas quais questionaria a pertença de Ceuta e Melilla à Espanha, assim como a apresentação de um relatório no Congresso dos Estados Unidos com argumentos semelhantes. Tudo isso é apresentado como parte do contexto internacional que, segundo o podcast, explica a inquietação existente em Madrid em relação às duas cidades autônomas.

O debate conclui com a afirmação de uma das participantes de que "há motivos para estar preocupado em Madrid", embora outra das jornalistas responda mostrando suas dúvidas sobre essa avaliação.

Parte da audiência acusa a POLITICO de reproduzir a narrativa marroquina

As reações não tardaram a aparecer após a publicação do episódio. Um dos comentários mais destacados acusa diretamente a POLITICO de estar difundindo "propaganda marroquina sobre Ceuta e Melilla" ao qualificá-las como colônias.

O mesmo usuário lembra que Ceuta e Melilla não figuram na lista de territórios não autônomos das Nações Unidas, utilizada pela ONU para os processos de descolonização, e convida o meio a consultar essa documentação antes de utilizar essa terminologia.

Além do debate político, a controvérsia evidencia a sensibilidade que continua envolvendo qualquer referência ao status de Ceuta e Melilla. Neste caso, não foi a hipótese sobre uma eventual crise com Marrocos que centrou a discussão, mas a utilização simultânea de dois conceitos que muitos ouvintes consideram difíceis de conciliar: definir ambas as cidades como "posses coloniais" e, ao mesmo tempo, afirmar que são "inequivocamente espanholas".

Bonjour, je m'appelle Fren. Comment puis-je vous aider ?