Rússia desmente Sánchez e rejeita qualquer papel na chegada massiva de migrantes a Ceuta

Rússia e Israel negam as acusações de Sánchez sobre boatos vinculados à crise migratória de Ceuta e elevam a tensão diplomática com a Espanha.

2 minutos

fotonoticia 20260831185135 1920
Adicione DEMOCRAT no Google

Publicado

2 minutos

A Presidência da Rússia negou nesta segunda-feira toda responsabilidade na chegada de dezenas de milhares de migrantes de Marrocos a Ceuta, depois que o presidente do Governo, Pedro Sánchez, denunciou a difusão de boatos nas redes sociais a partir de contas "associadas tanto à Rússia quanto a Israel".

"Não. Nada a ver", manifestou o porta-voz do Kremlin, Dimitri Peskov, em uma entrevista com a radiotelevisão pública russa RBC, ao ser questionado de forma direta sobre uma possível implicação das autoridades russas na crise migratória.

Sánchez ressaltou que não existe "nenhuma informação" que aponte para Marrocos como origem deste episódio e, pelo contrário, apontou para a Rússia e Israel, junto com "uma internacional ultradireitista" que pretende "utilizar" a questão migratória para "atacar" a Espanha e o conjunto da Europa.

"De fato houve redes russas e israelenses que propagaram esses boatos e que atacaram o Governo da Espanha e os governos europeus em um tema muito corrosivo, como é a luta contra a migração irregular", afirmou, citando uma análise do Serviço Europeu de Ação Externa da UE. Além disso, insistiu que esses ataques se dirigem contra a Espanha por "as posições políticas corajosas" em relação ao "genocídio" em Gaza e à "invasão" de (Vladimir) Putin na Ucrânia.

Israel respondeu através de seu ministro de Assuntos Estrangeiros, Gideon Saar, que acusou Sánchez de lançar "mentiras descaradas" ao vincular Tel Aviv com a crise migratória em Ceuta.

"Voltou a mentir, acusando, surpreendentemente, Israel de difundir informações enganosas sobre os acontecimentos de Ceuta. Isso é uma mentira descarada", escreveu Saar em uma mensagem nas redes sociais, na qual ataca Sánchez por sua versão sobre a origem da crise em Ceuta e lembra que o presidente espanhol evitou responsabilizar Marrocos pela entrada massiva de 80.000 migrantes na cidade autônoma no final de julho.

"Continuar difundindo mentiras difamatórias não desviará da vergonhosa incapacidade de Sánchez para gerir os assuntos de seu país", acrescentou o ministro de Exteriores israelense.

Este novo choque diplomático se soma à escalada de tensões entre o Governo espanhol e o Executivo de Benjamin Netanyahu, que em maio de 2024 convocou sua embaixadora em Madrid para consultas após o reconhecimento da Palestina e, até a data, não nomeou substituto.