Sindicatos policiais exigem a demissão de Marlaska por ignorar um alerta de risco extremo anterior à crise migratória de Ceuta

Sindicatos policiais exigem a demissão de Marlaska por ignorar um alerta interna de risco extremo anterior à crise migratória de Ceuta.

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Sindicatos da Polícia Nacional reclamaram esta quarta-feira a demissão do ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska, ao considerar que não atendeu o alerta interno que advertia do "risco extremo" de uma massiva tentativa de entrada de migrantes em Ceuta um dia antes da crise desencadeada em 30 de julho.

As organizações policiais reagem assim ao relatório que alude à implicação de gendarmes marroquinos, elaborado pelo Centro Nacional de Imigração e Fronteiras (CENIF) — a unidade de inteligência vinculada à Comissaria Geral de Estrangeiros e Fronteiras — e enviado à juíza da Audiência Nacional María Tardón.

Segundo dito documento, o CENIF lançou um alerta 24 horas antes do início da crise em que, a partir de fontes abertas, se advertia de possíveis chegadas a nado e saltos coordenados da cerca, em um cenário marcado pela sentença do Tribunal Supremo que vetava as devoluções por mar.

O relatório do CENIF choca com a versão oficial

O relatório do CENIF, antecipado por 'El Español', contradiz o que foi sustentado até agora pelo ministro Fernando Grande-Marlaska e pelo presidente do Governo, Pedro Sánchez, que defenderam que não existiam dados que implicassem Marrocos nem avisos da magnitude da avalanche, assegurando que nenhum serviço de informação antecipou o ocorrido.

De Bruxelas, o sindicato Confederação Espanhola de Polícia (CEP) destacou que nesse relatório se registra como esta unidade alertou em 29 de julho de um risco extremo de entrada coordenada por via marítima no dia seguinte, apontando para uma operação planejada com gendarmes marroquinos e policiais à paisana.

"Os policiais nacionais fizemos nosso trabalho, estivemos à altura das circunstâncias, alertamos em tempo e forma anteriormente ao assalto do que ia acontecer, mas os policiais nacionais não somos o Governo", assinalou diante dos meios o porta-voz do CEP, David Gutiérrez.

Na sua opinião, "se se demonstra que é certo esse relatório", que "é bastante presumível" o ministro do Interior não deveria seguir "nem um único segundo mais à frente do Ministério", sublinhando que sua responsabilidade não seria apenas perante os cidadãos espanhóis, "mas perante toda a União Europeia".

Gutiérrez denunciou ainda que, apesar das advertências prévias, "mal havia uma dúzia de agentes" defendendo a fronteira do Tarajal, algo que qualificou de "autêntica barbaridade para a segurança dos espanhóis e do resto dos europeus".

Demissões em cadeia e acusações de guerra híbrida

O sindicato Jupol também reivindicou esta terça-feira cessões após a divulgação do conteúdo do relatório do CENIF. "A Direção Geral da Polícia e o Ministério do Interior tinham conhecimento desta informação antes da invasão", assinalou em um comunicado.

Lembrou que eles mesmos, como sindicato policial, "alertaram publicamente no dia 28 de julho --dois dias antes do que chamam de "invasão"-- que a situação em Ceuta era insustentável", motivo pelo qual exigem a demissão de Marlaska, do diretor geral da Polícia, Francisco Pardo, e do delegado do Governo em Ceuta, Miguel Ángel Pérez Triano.

Jupol revelou igualmente que na última sexta-feira --28 de agosto-- "informaram" o presidente da Cidade Autónoma, Jesús Vivas, da existência deste relatório do CENIF, "pondo em evidência que a própria Polícia Nacional dispunha de informação prévia sobre a possibilidade de que se produzisse uma entrada massiva de imigrantes em Ceuta, supondo um risco extremo".

O sindicato enquadrou estes fatos em um "contexto de guerra híbrida" e insistiu que Marrocos não reconhece a soberania espanhola sobre Ceuta e Melilla, depois que Marlaska pediu ao diretor geral da Polícia que lhe verifique "o mais brevemente possível" o relatório que atribui às Forças e Corpos de Segurança marroquinos a facilitação da entrada massiva.