Vivas ataca Mónica García por ir a Ceuta "dar lições de humanidade" e qualifica de "incorreto" seu proceder

Vivas acusa a Mónica García de um comportamento "absolutamente incorreto" na sua visita a Ceuta e responsabiliza o Governo central pela crise migratória.

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O presidente de Ceuta, Juan Jesús Vivas, criticou com dureza esta segunda-feira a ministra da Saúde, Mónica García, pela forma como se comportou durante sua primeira visita oficial à cidade autônoma neste domingo, assim como por suas manifestações sobre a situação migratória e sanitária que vive Ceuta após a entrada maciça de cerca de 70.000 pessoas provenientes de Marrocos nos dias 30 e 31 de julho.

Em uma coletiva de imprensa após um Conselho de Governo extraordinário, Vivas qualificou de "absolutamente incorreto" o comportamento da ministra, precisando que o diz tentando ser "benevolente", e considerou "lamentável" que tenha sido necessária uma crise migratória dessa magnitude para que García "se digne" a deslocar-se a Ceuta.

O dirigente ceutí acusou a titular da Saúde de "tentar descarregar e eludir a responsabilidade jogando a culpa no Governo autonômico". "E fico com o de incorreto, porque me dá vontade de dizer outras coisas", apontou.

Segundo Vivas, "a ministra da Saúde não pode vir a Ceuta dar lições de humanidade nem de solidariedade", em resposta às palavras de García, que falou de "xenofobia" ao aludir a quem vincula as pessoas migrantes com doenças ou criminalidade.

Durante sua visita, a ministra afirmou que "os migrantes não trazem doenças", mas que "podem adoecer agora pelas condições de insalubridade" em que se encontram. A partir dessas palavras, Vivas responsabilizou diretamente o Executivo central pelas condições em que vivem essas pessoas.

"Da situação que têm esses imigrantes, a principal responsável é a ministra da Saúde, como membro de um Governo que tem a obrigação de atender isso", ressaltou.

As críticas da ministra e a resposta do Governo ceutí

As declarações do presidente ocorrem após Mónica García questionar esta segunda-feira em uma entrevista na 'La 1' a atuação do Governo de Ceuta em relação à habilitação de novos espaços para abrigar os migrantes que continuam na cidade.

A ministra já havia exigido no domingo, durante sua visita, que a Cidade acelerasse a acolhida de quem continua pernoitando na rua para garantir-lhes condições dignas e, ao mesmo tempo, evitar o surgimento de doenças contagiosas.

Vivas rejeitou de plano esta visão e sustentou que a Cidade leva semanas reclamando mais meios e advertindo da magnitude da pressão migratória, com especial incidência no caso dos menores estrangeiros não acompanhados.

O presidente defendeu que o Executivo local colocou sobre a mesa todos os recursos disponíveis e fez um esforço extraordinário para aumentar a capacidade de acolhimento, mas insistiu que Ceuta não pode enfrentar sozinha uma crise desse calibre.

"Nós avisamos, pedimos ajuda e colocamos todos os nossos recursos", sublinhou, lembrando que a Administração Geral do Estado conta com ferramentas e competências que não estão nas mãos da Cidade Autónoma.

Vivas também valorizou o trabalho desenvolvido pelos serviços municipais nas últimas semanas, com a abertura de novos espaços e o aumento de vagas para atender aos menores sob tutela da Administração local.

Vivas sustenta que Ceuta avisou com antecedência

Por outro lado, o presidente ceutí insistiu que o Governo local alertou com tempo da situação que estava se gestando na cidade e lembrou que no dia 27 de julho manteve uma conversa com a secretária de Estado de Segurança para transmitir a magnitude das chegadas.

Segundo explicou, nessa data já haviam acessado Ceuta cerca de 1.500 pessoas nadando nos dias anteriores. Vivas assegurou que comunicou ao Governo que a cidade se encontrava "em uma situação de alto risco" e que se dirigia para "uma situação de emergência humanitária".

Nessa conversa, relatou, reclamou a adoção de medidas extraordinárias, a declaração da emergência e a nomeação de um comando único que coordenasse a atuação dos distintos ministérios. "E nada foi feito. Disseram-me que isso era o de todos os verões", lamentou.

Vivas utilizou este episódio para sustentar que a Cidade Autónoma levava semanas avisando da pressão migratória e pedindo uma maior implicação do Estado, frente às críticas da ministra sobre a reação do Executivo ceutí.

O presidente também reivindicou a atitude da população de Ceuta e rejeitou que se coloque em dúvida o compromisso da cidade com as pessoas migrantes. "Se há um território no conjunto da Espanha e Europa onde as pessoas sofrem como próprio o sofrimento do outro, seja qual for a origem da pessoa, é Ceuta", afirmou.

Nesta linha, ele reclamou que a resposta institucional leve igualmente em conta as necessidades dos residentes. "Está bem que a ministra pense nos imigrantes, mas também deveria pensar nos ceutianos. Ou é que os ceutianos não temos direito?", ele levantou.

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