Ampliação | O PP exige ao Governo um comando único em Ceuta, reforço policial e o retorno de todos os que entraram, também menores

O PP exige ativar a Lei de Segurança Nacional em Ceuta, um comando único, mais meios e o retorno imediato de todos os que entraram, também menores.

5 minutos

fotonoticia 20260817151242 1920

fotonoticia 20260817151242 1920

Adicione DEMOCRAT no Google

Pergunte à FREN

Publicado

5 minutos

Mais lido

A vice-secretária de Regeneração Institucional do PP, Cuca Gamarra, instou o Governo a ativar a Lei de Segurança Nacional para designar um "comando único" em Ceuta, aumentar os efetivos das Forças e Corpos de Segurança do Estado (FCSE) e das Forças Armadas, e proceder ao retorno de todas as pessoas que acessaram de forma irregular, incluindo os menores.

Em uma coletiva de imprensa, Gamarra explicou que essas solicitações estão contidas em duas proposições não de lei registradas nesta segunda-feira no Congresso, que propõem uma atuação "imediata e urgente" em Ceuta com o objetivo de alcançar "o retorno à normalidade por meio dos instrumentos dos quais o Estado dispõe para proteger a cidade autônoma, a integridade territorial da Espanha e os direitos e liberdades dos ceutíes".

O Grupo Popular apresentou duas iniciativas de igual conteúdo, registradas pela Europa Press, para que sejam debatidas tanto na Comissão Mista (Congresso-Senado) de Segurança Nacional, onde PP e Vox têm maioria absoluta, como na Comissão de Interior.

Como primeiro passo, o PP reclama que se reconheça a situação que vive Ceuta como uma "crise de segurança nacional, de soberania e de integridade territorial" e demanda a ativação da Lei de Segurança Nacional.

Segundo defendeu Gamarra, esse comando único deve servir para recuperar na cidade autônoma, "de mãos dadas com o Estado", a normalidade no dia a dia de seus moradores. "Não é muito pedir", ressaltou, pedindo para se colocar "na pele" dos ceutíes para pôr fim à "sensação de abandono".

A proposição não de lei prevê também a implementação de um Plano Nacional de Normalização e a incorporação de 50 novos funcionários em Estrangeiros, que deveriam ser destinados "de todas as delegacias da Espanha, se necessário".

A dirigente 'popular' solicita igualmente o envio de especialistas da Unidade Central de Redes de Imigração e Falsificações Documentais (UCRIF), assim como o reforço das unidades de intervenção policial e da Guarda Civil para combater as máfias dedicadas ao tráfico de pessoas. "É necessário blindar a segurança na cidade", enfatizou.

Retorno de adultos e menores

Outro dos eixos da iniciativa parlamentar é o "retorno imediato" de quem acessou de forma irregular. Gamarra sustenta que essa medida deve ser aplicada tanto a maiores de idade quanto a menores e ressaltou que "é o único caminho" e que "não há outra via".

Relativamente aos menores, assinalou que foram reclamados pelo seu país de origem, que "não estão desamparados" e que existem convenções bilaterais entre Espanha e Marrocos que permitem articular juridicamente e por via diplomática seu retorno com suas famílias ou sob os sistemas de proteção de seu país.

As PNL detalham que o retorno dos menores estrangeiros não acompanhados deverá ser efetuado com suas famílias ou, se não for possível, com os serviços de proteção de seu país de origem, sempre que sejam cumpridas as condições legais, se respeite o interesse superior do menor e de acordo com os tratados internacionais vigentes.

O texto contempla ainda a coordenação com Marrocos para exigir o cumprimento dos acordos em controle fronteiriço, luta contra as máfias e readmissão de migrantes, utilizando os canais diplomáticos e bilaterais já existentes.

Reforma da Lei de Estrangeiros e papel da UE

No plano normativo, o PP propõe modificar a Lei de Estrangeiros para permitir a rejeição na fronteira nas entradas por via marítima. Gamarra lembrou que seu partido já havia registrado essa reforma no Congresso semanas antes das entradas massivas em Ceuta.

As iniciativas lembram que o Grupo Popular apresentou em 16 de julho uma proposição legislativa para autorizar expressamente a aplicação do regime de rejeição na fronteira às chegadas por mar a Ceuta e Melilla.

O PP reclama também a implicação da União Europeia, em linha com as demandas do presidente da cidade autônoma, Juan Vivas, mediante um desdobramento formal da FRONTEX e de unidades de intervenção rápida nas fronteiras espanholas, dado que "também são fronteiras europeias".

A proposição do PP urge ainda ao Executivo a garantir "transparência informativa" para esclarecer quais avisos dos serviços de inteligência, civis e militares, recebeu o Governo antes da crise.

As duas PNL especificam que o Governo deve remeter às Cortes Gerais todos os alertas, relatórios ou advertências prévias que tenham sido recebidos pelo Executivo, pelo Ministério do Interior ou outros departamentos por parte do CNI, das FCSE ou outros organismos públicos sobre o risco de uma entrada massiva antes de 30 de julho.

Junto a isso, Gamarra reivindicou a "assunção de responsabilidades" porque "foi advertido e não se fez nada para impedir".

Crítica às regularizações massivas e defesa da soberania

As proposições incluem também o fim das "regularizações massivas", que a vice-secretária do PP vincula a uma política migratória que considera "equivocada", já que "a via irregular nunca pode resultar mais vantajosa que a legal". Como alternativa, defende uma imigração "legal, ordenada, regular e vinculada ao mercado de trabalho".

Nesse sentido, Gamarra insistiu que a Espanha não pode depender "da vontade de um terceiro país" para salvaguardar sua fronteira e afirmou que "a soberania e a integridade não podem ser subcontratadas nem cedidas a um terceiro país", mas devem ser garantidas com os próprios meios do Estado.

Questionada sobre as críticas do presidente ceutiense à gestão do Governo central, Gamarra assegurou que não pode estar "mais de acordo" com Vivas e acusou o Executivo de "incapacidade, irresponsabilidade, passividade e inação" desde o início da crise.

O Governo, advertido antes da crise

Segundo sustenta, o Gabinete de Sánchez foi alertado com antecedência e "não fez nada" antes da avalanche, também não reagiu quando ocorreu e, depois, não colocou em marcha medidas "suficientes e com caráter urgente" para proteger os direitos e liberdades dos ceutianos, a integridade das fronteiras e os mecanismos necessários para os retornos.

O PP lembra que Vivas havia avisado nos dias anteriores sobre o aumento da pressão na fronteira. E assegura que, quando pediu para declarar a emergência nacional e estabelecer um comando único, o Governo inicialmente rejeitou o pedido e "menosprezou a verdadeira natureza" da crise ao limitá-la ao âmbito migratório.

Gamarra também apoiou o prazo de 30 dias proposto por Vivas para recuperar a normalidade em Ceuta e o qualificou de prazo "francamente lógico". Acrescentou que, uma vez superado esse período, o presidente ceutiense e o PP têm a obrigação de ativar todos os instrumentos à sua disposição para alcançar essa normalização.

Por fim, a dirigente 'popular' garantiu o apoio de seu partido a Vivas para colocar em marcha as medidas que considerar oportunas, incluindo as de caráter judicial. "O primeiro e o único são os ceutianos, seu dia a dia, sua normalidade, seus direitos, suas liberdades e tudo isso no marco da soberania e da integridade territorial que tem nosso país", concluiu.

Bonjour, je m'appelle Fren. Comment puis-je vous aider ?