Vox reclama convocar a comissão do pacto com PP-A para revisar a política migratória da Junta

Manuel Gavira reclama ativar a comissão do pacto PP-A/Vox para reforçar a coordenação sobre imigração após a ajuda de 25 milhões destinada a Ceuta.

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O vice-presidente segundo da Junta da Andaluzia e conselheiro de Turismo, Justiça, Desregulação e Administração Local, Manuel Gavira (Vox), informou neste domingo que sua formação solicitou que, nos próximos dias, se reúna a comissão de acompanhamento do acordo de governo selado no mês passado entre Vox e o PP-A, com o objetivo de "aprofundar em como serão geridos os assuntos migratórios dentro do Governo de coalizão" que é liderado por Juanma Moreno.

Segundo explicou em declarações divulgadas pela Europa Press e em um comunicado, Gavira destacou que "a imigração é uma questão essencial para o Vox e queremos que, a partir de agora, as decisões que afetem a esta matéria sejam tratadas e coordenadas previamente entre os dois partidos".

O dirigente do Vox assinalou que com isso se pretende evitar que se repitam episódios como o gerado em torno da ajuda extraordinária de 25 milhões de euros aprovada esta semana, com o voto favorável da Andaluzia, na Conferência Setorial de Infância e Adolescência que reúne o Governo central com as comunidades autônomas.

Na última sexta-feira, em uma atenção aos meios em Montilla (Córdoba), Gavira manifestou que o Executivo andaluz teria se posicionado contra esse crédito extraordinário de 25 milhões de euros se o Vox detivesse as competências nesta matéria dentro do Governo autonômico.

Nessa mesma Conferência Setorial de Infância e Adolescência não participaram representantes dos governos de Aragão, Extremadura e Castela e Leão, onde o PP governa também com o Vox e este partido sim gerencia as competências relacionadas com os menores, ao contrário do que ocorre na Andaluzia, apesar de que nesta legislatura ambas as formações compartilham igualmente o Executivo.

Nessa coletiva de imprensa, e questionado sobre a ajuda de 25 milhões de euros, Gavira afirmou que "se este humilde conselheiro --em referência a ele mesmo-- tivesse essa competência, teria votado igual" que seus "companheiros em Aragão, em Extremadura e em Castela e Leão".

Nessa linha, precisou que "a competência" sobre este âmbito "é do Partido Popular" na Junta da Andaluzia, através da Conselharia de Serviços Sociais que é liderada por Loles López, e ressaltou que "se a competência a tivesse" seu departamento, o Governo andaluz teria "se oposto" a dito acordo.

Ajuda extraordinária para Ceuta e acordo de governo

Um dia depois, neste sábado, a Junta defendeu por meio de declarações enviadas aos meios que a ajuda extraordinária de 25 milhões de euros "não representa nenhum descumprimento do acordo para a estabilidade e o governo da Andaluzia assinado em julho" entre PP-A e Vox, que permitiu a terceira investidura de Juanma Moreno como presidente.

Neste contexto, Gavira "agradeceu" neste domingo que "o Partido Popular esclarecesse" que seu apoio ao crédito extraordinário de 25 milhões de euros destinado a Ceuta na Comissão Setorial de Infância e Adolescência da última quinta-feira "não representa um descumprimento do acordo".

"Valorizamos e agradecemos que o Partido Popular tenha esclarecido que não descumpriu o acordo de governo. Isso é importante, porque ambos estamos comprometidos a cumprir integralmente o acordo de governo", ressaltou o vice-presidente segundo.

Gavira insistiu que "a proteção dos andaluzes frente às consequências da imigração massiva é para Vox uma questão essencial", e lembrou que o pacto de governo é "claro" neste ponto, já que em seu item 12 rejeita "expressamente" a "chegada à Andaluzia de mais imigrantes ilegais, tanto maiores como menores de idade".

Além disso, lembrou que o acordo entre PP-A e Vox estabelece que "não vamos participar em reformas normativas nem em acordos orçamentários para facilitar, financiar ou consolidar sua entrada, acolhimento ou permanência no território da Andaluzia".

O vice-presidente segundo colocou o foco neste último aspecto, citando literalmente o conteúdo do pacto para ressaltar que o crédito aprovado esta semana se destina a Ceuta, de forma que seja a própria cidade autônoma a dispor de fundos "para atender, em seu território, a situação extraordinária provocada pela invasão do final de julho, permitida pelo Governo criminoso do PSOE", acrescentou.

"Em definitiva, são 25 milhões para Ceuta e em Ceuta, não para a Andaluzia nem na Andaluzia. Como diz nosso acordo", argumentou Gavira, que apontou que, em qualquer caso, a saída para a situação que atravessa a cidade autônoma "é devolver o mais rápido possível ao Marrocos aqueles que entraram ilegalmente, e não afastá-los ainda mais de seu país de origem", partindo da ideia de que, "enquanto o Governo de (Pedro) Sánchez continuar permitindo e incentivando uma imigração massiva e descontrolada, continuaremos sofrendo suas consequências".

Reforçar a coordenação entre PP-A e Vox

No neste cenário, o vice-presidente segundo defendeu a conveniência de "melhorar a coordenação" entre as duas formações que integram o Executivo andaluz, especialmente em um âmbito que o Vox considera "essencial".

"Temos uma posição comum e um acordo a cumprir. E esse acordo deve ser a referência para agir de forma leal, coordenada e coerente em todas as decisões que adotarmos, pelo bem dos andaluzes", sustentou Gavira, antes de avançar com o pedido formal de convocação da comissão de acompanhamento do pacto de governo entre PP-A e Vox para "aprofundar em como serão geridos os assuntos migratórios dentro do Governo de coalizão".