SATSE alerta da falta de parteiras em centros de saúde e hospitais durante o verão

SATSE denuncia um déficit estrutural de parteiras no verão que sobrecarrega as equipes e atrasa a atenção a mulheres grávidas e recém-nascidos.

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O Sindicato de Enfermagem (SATSE) voltou a advertir que, mais um verão, numerosos centros de saúde e hospitais foram afetados pela escassez de parteiras, o que, segundo entendem, impede garantir um atendimento adequado e seguro às mulheres e aos recém-nascidos.

A organização enfatiza que a "origem comum" dessas situações, tanto na Atenção Primária quanto na Especializada, é o "déficit estrutural" de parteiras nas equipes, que "agrava ainda mais" os problemas durante os meses de verão.

Segundo o SATSE, as gerências não realizam uma cobertura correta das profissionais que estão de férias ou que não podem comparecer ao seu posto por motivos alheios à sua vontade, como licenças por doença ou acidentes.

"A essa realidade deve-se somar uma desincentivação retributiva progressiva de uma especialidade de enfermagem totalmente consolidada, sobretudo no âmbito da Atenção Primária, chegando a receber essas profissionais menos que o restante das enfermeiras", aponta.

O sindicato ressalta que a insuficiência de parteiras obriga as que permanecem ativas no verão a encadear horas extras, dobrar turnos e assumir uma carga de pacientes muito superior à que lhes corresponderia.

Nos centros de saúde, o SATSE explica que a falta de pessoal durante o período estival provoca o fechamento de agendas ou força as parteiras a assumir as agendas de suas colegas a "custo zero", o que implica alongar sua jornada ou priorizar o que podem atender. "Algo que, além de um debate ético interno, produz efeitos prejudiciais na saúde das parteiras, e impossibilita que possam conciliar sua vida laboral e pessoal", ressalta o sindicato.

O resultado, acrescenta a organização, é que as pacientes sofrem cancelamentos e atrasos em consultas, programas, oficinas formativas e outros serviços, ou são obrigadas a se deslocar para outro centro de saúde para poder ser atendidas por uma parteira.

De forma concreta, restringem-se ou adiam-se até depois do verão prestações como o acompanhamento em prazo da gravidez e as consultas de pós-parto e amamentação, assim como atividades relacionadas com a recuperação do assoalho pélvico, a triagem de câncer de colo de útero ou a orientação sobre métodos anticonceptivos e em matéria de saúde sexual-afetiva, entre outras.

Problemas em hospitais e serviços de parto

No âmbito hospitalar, o sindicato alertou nas últimas semanas sobre situações registradas em centros como os de Guadalajara, Palma de Mallorca ou Valência, entre outros, que supuseram um "importante deterioro" na atenção que precisam as mulheres e seus filhos, além de um impacto negativo na saúde física e psicológica das parteiras.

Neste contexto, o SATSE considera "absolutamente injustificável" que, como aconteceu na Unidade de Parto do Hospital de Guadalajara, se tenha chegado a trabalhar com metade das parteiras previstas em seu plano funcional, ou que se tenha obrigado a prolongar o turno das profissionais que saíam de plantão noturno, expondo-as a um alto nível de cansaço, exaustão e estresse, com consequências diretas na segurança das pacientes.

Também ocorreu uma situação crítica na Área Materno Infantil do Hospital Son Espases, em Palma de Mallorca, com uma falta de nove parteiras no parto e na maternidade, o que representa quase 20 por cento do quadro sem cobertura. Além disso, várias profissionais solicitaram transferência para outras comunidades, como Andaluzia, diante da situação "insustentável" que suportavam diariamente.

No Hospital Clínico Universitário de Valência, o SATSE denuncia que a carência estrutural de parteiras na área de Parto se mantém há mais de dois anos, sem que a Direção tenha implementado medidas estáveis que garantam uma dotação suficiente, adequada e segura.

Quadros esgotados e falta de planejamento

"São situações que se sofrem, em maior ou menor medida, em um grande número de centros de saúde e hospitais nos quais se garante a atenção que precisam as mulheres que vão ser mães, embora não seja nas melhores condições, graças ao trabalho de um pessoal cada vez mais cansado, desmotivado e contrariado", apontam da organização sindical.

O SATSE lamenta, além disso, que, especialmente na Atenção Primária, sejam as próprias parteiras quem tenham que buscar por conta própria, até recorrendo a ferramentas tão "pouco formais" como um grupo de WhatsApp, a colegas dispostos a cobrir seus turnos quando sua situação pessoal ou laboral o requer.

O sindicato reprova às gerências que não sejam capazes de garantir um planejamento e coordenação adequados das jornadas de trabalho, ao não encontrar os reforços necessários para assegurar a continuidade assistencial nos centros.