Milhares de pessoas se manifestam em Ceuta para exigir uma "solução excepcional" para a crise migratória.

A protesto partiu das Muralhas Reais entre bandeiras da Espanha e Ceuta e gritos contra o Governo e reclama também a demissão do delegado do Governo.

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As ruas do centro de Ceuta se encheram de manifestantes de todas as idades, desde jovens e adultos até idosos e famílias com crianças. Muitos dos participantes compareceram com bandeiras da Espanha e de Ceuta, algumas de grandes dimensões.

Antes do início da marcha, os participantes se concentraram nas imediações das Muralhas Reais. Na rua Valentín Cabillas, perto da sede da Assembleia, foi instalado um palco de onde soou o pasodoble de Manolo Escobar "Que viva España".

A mobilização ocorre após uma noite marcada pelo taró, a característica névoa densa do Estreito, e com um dia de calor que não impediu que numerosos ceutianos saíssem às ruas.

Entre as camisetas e faixas podiam ser lidos mensagens como "Ceuta é Espanha", "Orgulho ceutiano" ou "Ceuta não se vende, se defende".

Os organizadores pediram aos participantes que se posicionassem nas calçadas antes de iniciar o percurso para permitir a saída da cabeça da manifestação e manter livre o caminho para os veículos de emergência.

"Onde estão os relatórios?"

A marcha começou com gritos de "Onde estão os relatórios?" e "Ceuta unida jamais será vencida". Antes de se mover, os participantes também haviam gritado "Eu sou espanhol", "um caballa nunca se rende" e "Invasores, expulsão".

A referência aos relatórios ocorre em plena controvérsia política pela documentação policial elaborada sobre a entrada maciça de migrantes dos passados 30 e 31 de julho e os avisos existentes antes daqueles acontecimentos.

Durante o percurso também foram mostradas faixas dirigidas às instituições europeias. Uma delas exigia "SOS Europe Save Us", enquanto outra levantava a pergunta "Hoje Ceuta ¿E amanhã?".

Reclamam uma "solução legal excepcional"

Uma das principais reivindicações da protesto é a adoção de uma "solução legal excepcional" para facilitar a saída dos migrantes que permanecem na cidade após a crise.

Os manifestantes pretendem com a mobilização visibilizar as consequências que, segundo denunciam, a situação migratória está tendo sobre a vida cotidiana de Ceuta e reclamar uma resposta urgente das administrações.

A protesto também incorporou mensagens de caráter político. Os participantes exigiram a demissão do delegado do Governo em Ceuta e foram ouvidos insultos dirigidos ao presidente do Governo, Pedro Sánchez.

A mobilização continua percorrendo as ruas da cidade autônoma com uma forte presença de símbolos espanhóis e ceutianos e com as reivindicações sobre a gestão da crise migratória como eixo central.