Vox pede ao Supremo parar as novas altas no censo exterior pela lei dos netos diante de possíveis danos irreparáveis

Vox pede ao Supremo para frear as novas altas automáticas no censo exterior pela lei de netos ao considerar que vulneram o direito de sufrágio.

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Vox reclamou ao Tribunal Supremo a suspensão cautelar de "a tramitação de novas altas automáticas" no Censo Eleitoral de Residentes Ausentes (CERA) "derivados de expedientes de aquisição de nacionalidade espanhola" pela 'lei dos netos', ao entender que sua aplicação gerará "danos irreversíveis".

No escrito apresentado, ao qual teve acesso a Europa Press, a formação sustenta que "cada vez que se inscrever no censo eleitoral um novo eleitor que não cumpre com as exigências acumulativas" da conhecida como 'lei dos netos' "estará se produzindo uma situação jurídica que vulnera o direito de sufrágio".

Segundo Vox, essa suposta vulneração atinge "todos e cada um dos espanhóis, cujo voto e seus efeitos reais vão se diluir em um possível marasmo de votos formulados por quem carece de direito a ser inscrito como eleitor".

O partido liderado por Santiago Abascal argumenta que a aplicação prática da 'lei dos netos' —introduzida como disposição adicional na Lei de Memória Democrática aprovada pelo Governo em 2022— teria superado com folga o âmbito subjetivo previsto pelo legislador. "Por sua própria natureza, os danos que se produzirem são irreversíveis", sublinha o texto.

Em seu recurso, Vox denuncia que uma instrução da Direção Geral "modifica e estende o conteúdo" da norma, "criando um novo suposto para a aquisição da nacionalidade, modificando a natureza jurídica do modo de aquisição, estabelecendo uma isenção à obrigação de renunciar à nacionalidade anterior".

O advogado e eurodeputado de Vox Jorge Buxadé considera que tal instrução "provavelmente é ilegal" e adverte que "essa ilegalidade de modo algum é inócua do ponto de vista do direito de sufrágio".

Pede controle sobre o CERA e medidas cautelares

No documento enviado ao Supremo, a formação critica que "a expansão do conceito de 'exilado' e a aplicação da norma a filhos, netos, bisnetos e tataranetos sem prova alguma de perseguição política não se produziu mediante reforma legislativa, mas através de instruções administrativas internas que dissolveram até torná-la irreconhecível, a vontade do legislador".

Para Vox, esta situação reveste "urgência" e justifica "a adoção de uma medida cautelar precatória, que poderia ser, igualmente, a suspensão, enquanto não se proceda a ditar sentença, de nenhum novo eleitor no CERA, evitando assim a tramitação de novas altas automáticas no CERA derivados de processos de aquisição de nacionalidade espanhola" pela 'lei de netos'.

O partido alerta que "o CERA poderia incorporar, para as próximas eleições gerais, um volume de novos eleitores equivalente à população censal de várias províncias espanholas completas, com um impacto direto e potencialmente decisivo na atribuição de assentos".

Além disso, adverte: "Levando em conta que fica ao arbítrio do interessado a circunscrição onde poderia ser incorporado, ocorre sem dúvida alguma uma gravíssima alteração da configuração do censo eleitoral".

Por este motivo, Vox reclama como solução "o mero controle administrativo das atualizações mensais do censo" e sustenta que "os riscos e os danos ao interesse público em jogo são nulos" porque, uma vez que o tribunal dite sentença, a suspensão "será levantada permitindo a inscrição no censo eleitoral dos solicitantes de conformidade com o veredicto".

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