A vindima no Marco de Jerez de la Frontera, na província de Cádiz, começou com força e já soma algo mais de sete milhões de quilos de uva nos primeiros dias de campanha. Trata-se de cifras ainda muito preliminares, uma vez que por agora apenas estão operativos seis lagares na zona, quatro deles situados nos pagamentos de Jerez.
Para a campanha de 2026, o Conselho Regulador do Marco de Jerez contempla um cenário "normal" com uma produção prevista de 55 milhões de quilos de uva, um volume claramente superior ao de 2025, quando mal se alcançaram 34,5 milhões. Aquele foi um exercício "atípico" em palavras do presidente do Conselho Regulador, César Saldaña, em declarações à Europa Press.
Por este motivo, a avaliação da vindima atual é muito favorável para o setor, que enfrenta uma campanha "ideal", como a qualificou Saldaña, sublinhando que as condições ambientais têm sido "muito diferentes" das do ano anterior.
Nesta linha, detalhou que as vinhas da província desfrutaram de "bastante chuva" durante o inverno e de uma primavera "bastante seca". Além disso, os viticultores já estavam prevenidos contra doenças como o míldio, que em 2025 chegou a ocasionar a perda de 30% da colheita.
"Não houve praticamente nada de doenças, de pragas, esteve tudo muito controlado e a uva tem também um aspecto super saudável e está muito bonita", assinalou o presidente do Conselho Regulador, destacando o bom estado sanitário do fruto.
A previsão é que a vindima se estenda ao conjunto dos pagamentos do Marco a partir de meados de agosto. Por agora, a colheita foi iniciada nas primeiras vinhas de Jerez, El Puerto e Chipiona, onde se concentram os trabalhos iniciais.
Como já aconteceu em outros verões, este ano a campanha foi antecipada novamente para o mês de julho. O estado fenológico da vinha e as altas temperaturas registradas nas últimas semanas de junho e julho propiciaram que em determinadas vinhas do interior se alcançassem antes os níveis de maturação recomendados para iniciar a colheita.
No entanto, esta situação não se repete no conjunto das vinhas da denominação de origem, que ainda aguardam para alcançar o ponto ótimo de maturidade para proceder à colheita generalizada.
De acordo com os dados do Conselho Regulador consultados pela Europa Press, os quatro lagares atualmente ativos em Jerez já moeram 6,2 milhões de quilos de uva, com uma graduação média de 11,7º Baumé. Em Chipiona e El Puerto, onde funciona um lagar em cada localidade, foram processados até o momento 773.000 e 9.300 quilos de uva, respectivamente.
O ano agrícola 2025-26 concluiu-se com uma pluviosidade ""entre normal e alta para o que são os níveis habituais no Marco de Jerez, superando os 650 litros por metro quadrado em quase todos os pagamentos da denominação de origem.
As fortes chuvas de inverno não prejudicaram a maturação da uva, embora tenham atrasado os trabalhos de poda, já que o acesso a algumas vinhas chegou a ser "impraticável" em determinados pontos, conforme reconheceu César Saldaña. Mesmo assim, minimizou a importância desse contratempo ao qualificá-lo como "um problema menor", advertindo que, se essas precipitações tivessem se concentrado na primavera, "teria sido mais grave".