O trecho inicial do canal da transposição Tejo-Segura voltará a operar de forma "provisória e parcial" com o objetivo de que possam ser desviados "pelo menos uma parte" dos caudais já autorizados e ainda não enviados pelo fechamento do canal devido às obras de reparação em dois setores. Para isso, será habilitada apenas a parte inferior do canal até uma cota que permita, com condições mínimas de segurança, transvasar este volume de água.
Esta decisão foi adotada nesta terça-feira na reunião da Comissão Central de Exploração do Aqueduto Tejo-Segura (ATS), que fixou que este funcionamento parcial se prolongue até 31 de dezembro, dando prioridade absoluta ao abastecimento, segundo comunicou o Ministério para a Transição Ecológica (MITECO).
A alternativa escolhida obriga a interromper temporariamente as obras no primeiro trecho, em La Bujeda, para restabelecer o serviço durante um período delimitado tanto em tempo quanto em capacidade de transporte. Os trabalhos serão retomados a partir de 1 de janeiro de 2027. A água que puder ser transvasada entre os volumes já aprovados será armazenada nos reservatórios de Campos del Paraíso e Alarcón até a conclusão das obras nos dois trechos afetados, prevista para meados de fevereiro de 2027, sempre que as condições meteorológicas o permitam.
Em todo caso, conforme à normativa vigente que regula as regras da transposição, os caudais que forem enviados até 31 de dezembro serão contabilizados como recursos do ano hidrológico 2026-2027.
Durante a sessão, a Confederação Hidrográfica do Tejo (CHT) detalhou o diagnóstico e a dimensão das duas rupturas detectadas em setembro nos locais de La Bujeda e Liétor, que obrigaram a manter fora de serviço o canal desde então.
Para delimitar com precisão o alcance dos danos, os serviços de exploração utilizaram técnicas de geofísica, com levantamentos por meio de georradar nas áreas afetadas, com o objetivo de dispor de um mapa detalhado das afecções. Para executar as reparações, a Secretaria de Estado do Meio Ambiente declarou as atuações de emergência, com um orçamento de 1,2 milhões de euros.
Os relatórios e avaliações das equipes técnicas ratificam os prazos inicialmente previstos, que situam o final das obras em torno de meados de fevereiro de 2027.
SITUAÇÃO HIDROLÓGICA
Ao mesmo tempo, a Comissão analisou a situação hidrológica a 1 de outubro e as previsões elaboradas pelo Centro de Estudos Hidrográficos para os próximos seis meses. Nessa data, os reservatórios de cabeceira acumulavam um volume efetivo de 1.178,9 hm3, correspondente ao nível 2, de acordo com as regras de exploração do transvase.
A aplicação semestral da norma de exploração permite antecipar que o sistema permanecerá no nível 2 durante todo o semestre. No entanto, diante da incerteza ligada às reparações, a Comissão autorizou um transvase de 54 hm3 para os meses de outubro e novembro, a razão de 27 hm3 cada mês. Esses caudais começarão a ser desviados quando o canal voltar a estar operativo.
Da mesma forma, decidiu-se continuar enviando os volumes já aprovados e ainda pendentes, em função da disponibilidade operativa do canal e até 31 de dezembro de 2026, dando prioridade aos destinados ao consumo humano. Esses recursos serão imputados ao ano hidrológico 2026-2027.
Por outro lado, a Confederação Hidrográfica do Guadiana comunicou que a superfície atualmente inundada no Parque Nacional das Tablas de Daimiel atinge as 353 hectares. Igualmente, sublinhou a urgência de receber um volume de 2,5 hm3 para garantir os abastecimentos através da denominada "Tubería Manchega" durante os meses de outubro e novembro.
Além disso, o Centro de Estudos Hidrográficos apresentou o balanço do ano hidrológico 2025-2026, concluído no passado 30 de setembro. Segundo expôs, foi um dos exercícios hidrológicos com maiores contribuições e volumes embalsados, o que permitiu autorizar um total de 522 hm3, dos quais, até a data, foram transvasados 424,1 hm3.
Finalmente, a Comissão decidiu convocar uma nova reunião no início de dezembro para revisar o avanço das obras de reparação, os volumes efetivamente transvasados até aquele momento e os que previsivelmente poderão ser enviados antes que termine o ano, assim como para autorizar os caudais correspondentes ao seguinte período.