Os deputados do PSOE-A abandonam o Plenário na estreia de Ana Mestre como presidenta após um choque com Antonio Sanz

Os deputados do PSOE-A abandonam o Plenário andaluz na estreia de Ana Mestre como presidenta após negar um turno de réplica por umas palavras de Antonio Sanz.

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Os parlamentares do Grupo Socialista decidiram esta quinta-feira sair do Plenário do Parlamento andaluz antes que a nova presidenta da Câmara, Ana Mestre (PP-A), concluísse a primeira mensagem dirigida a suas senhorias em seu novo cargo e desse por finalizada a sessão. Seu gesto foi uma protesto pela forma como geriu uma controvérsia surgida ao término da intervenção do vice-presidente primeiro e conselheiro de Presidência, Saúde e Emergências da Junta, Antonio Sanz (PP-A), relativa ao incêndio florestal de Los Gallardos (Almería), no qual faleceram 13 pessoas.

Em sua réplica aos grupos, o conselheiro defendeu sua atuação diante do referido sinistro e ressaltou que trabalha "desde a lealdade, a cooperação e o rigor", além de transmitir à oposição que não sabe "se estão desejando que haja incêndios para ter que vir prestar contas" ao Parlamento.

Esse comentário provocou uma notável raiva na bancada socialista. O secretário do grupo e deputado por Sevilha, Rafael Recio, então pediu a palavra à presidenta acolhendo-se ao artigo 77.3 do Regulamento, que estabelece que, quando uma "alusão afetar ao decoro ou dignidade de um Grupo parlamentar, o Presidente ou Presidenta poderá conceder a um Deputado ou Deputada representante daquele o uso da palavra".

O representante do PSOE-A justificou seu pedido ao considerar que Antonio Sanz havia lançado uma "acusação muito grave" contra o Grupo Socialista "manifestando que estamos desejando que haja incêndios".

Ana Mestre respondeu que havia escutado "perfeitamente o que disse" o conselheiro e que "não os aludiu diretamente" aos socialistas. "Disse que 'parece que vocês'", precisou a presidenta do Parlamento em sua resposta a Rafael Recio, a quem, por esse motivo, negou o turno de palavra solicitado.

Em seguida, a recém-eleita presidenta tentou dirigir algumas breves palavras ao hemiciclo antes de levantar a sessão plenária na qual foi escolhida para substituir Jesús Aguirre, no âmbito do pacto de governo entre PP-A e Vox para esta legislatura, que concede ao Vox a vice-presidência primeira da Câmara. Na mesma sessão, também foi procedido ao nomeação dos nove senadores que representarão a comunidade autônoma.

Neste momento, os deputados do PSOE-A levantaram-se e abandonaram a sala 'Alberto Jiménez Becerril', onde se celebrava o Plenário, como demonstração de rejeição ao fato de que Ana Mestre não havia permitido ao seu grupo responder a Sanz. Desta forma, não permaneceram em seus assentos para ouvir o discurso da nova presidenta.

ANA MESTRE ASSUME A PRESIDÊNCIA DO PARLAMENTO COMO "UMA HONRA"

Nessa última intervenção, Ana Mestre manifestou que para ela "é uma honra presidir" o Parlamento, uma tarefa que assume "com máxima responsabilidade", antes de convidar os deputados a pensar sobre "que Parlamento da Andaluzia" desejam, como querem "representar os andaluzes nesta legislatura", e "que grão de areia" aspiram a "contribuir para a Espanha a partir desta terra tão generosa que se chama Andaluzia".

A nova presidenta insistiu que o Parlamento "pertence ao povo andaluz", e que os deputados são "custódios durante um tempo suficiente, bem para deixar marcas ou cicatrizes", algo que "simplesmente depende" deles, segundo destacou.

"Cada palavra pronunciada aqui tem consequências, cada gesto educa, cada silêncio ensina, cada aplauso inspira e cada desqualificação destrói", advertiu Ana Mestre aos deputados, ressaltando que os "observam" seus filhos, seus mais velhos e aqueles que "ainda acreditam que a política pode melhorar a vida dos cidadãos".

Nessa linha, pediu contribuir para "um Parlamento onde se colecionem discursos" e não se acumulem "palavras destrutivas", em que "a discrepância seja uma oportunidade para todos crescerem", e defendeu que "a firmeza não é uma questão de gritos", e que "a educação jamais foi um sinal de fraqueza". "É a forma mais elegante de demonstrar força", acrescentou.

"Durante esses anos temos repetido que a Andaluzia acredita em si mesma, que não tem teto para seu talento, que quer igualdade e não privilégios, que é uma terra aberta, solidária e ambiciosa. Se essa é a nossa Andaluzia, senhoras e senhores, esse deve ser também o nosso Parlamento", concluiu Ana Mestre.

PARABÉNS DE JUANMA MORENO

Em paralelo, o presidente da Junta da Andaluzia e do PP-A, Juanma Moreno, publicou uma mensagem em sua conta na rede social 'X' na qual transmitiu seus "parabéns" a Ana Mestre por sua eleição como presidenta do Parlamento, e indicou que se alegra "muito" por ela.

Moreno definiu Ana Mestre como "uma mulher com altura de miras, próxima, trabalhadora e dialogante", e sublinhou que é "uma garantia para que sejam ouvidas com respeito todas as vozes do povo andaluz".

"Vai ser uma magnífica presidenta do Parlamento da Andaluzia", previu o chefe do Executivo andaluz, que também desejou "o melhor" ao já ex-presidente da Câmara Jesús Aguirre, um "querido companheiro e amigo" que realizou "um grande trabalho estes anos fruto do seu conhecimento, experiência e bom fazer". Ele finalizou lembrando que seu companheiro de partido "continuará defendendo o interesse de todos os andaluzes no Senado", para o qual foi designado em representação do Parlamento autonômico.

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