O presidente das Canárias, Fernando Clavijo, valorizou nesta terça-feira o avanço da economia e a criação de postos de trabalho nas ilhas, situados acima da média nacional e da eurozona, assim como os níveis mínimos históricos de desemprego juvenil. No entanto, advertiu que esses dados macroeconômicos positivos ainda não se refletem de forma clara nas economias das famílias canárias.
Essas declarações foram feitas durante a abertura da jornada "Canárias Rumo ao Futuro", organizada pela Europa Press Canárias, em um ato no qual foi apresentado pelo presidente da agência de notícias, Asís Martín de Cabiedes.
Clavijo explicou que esse desajuste entre os números globais e a realidade cotidiana de muitos cidadãos é uma das maiores preocupações de seu Executivo ao enfrentar os desafios que se apresentam para o arquipélago, em um contexto marcado por problemas estruturais de exclusão social, pobreza e marginalidade que persistem ao longo do tempo.
O presidente autonômico também reconheceu o "esforço" realizado pelo tecido empresarial e pelo setor turístico para melhorar as condições de trabalho, com aumentos salariais superiores a 10% nos convenções coletivas de ambas as províncias canárias. No entanto, ressaltou que o aumento da inflação reduziu de maneira significativa o impacto real dessas melhorias salariais no bolso dos trabalhadores.
Nessa mesma linha, defendeu que é imprescindível colocar em marcha medidas coordenadas entre o Governo das Canárias, a Administração Geral do Estado e as instituições da União Europeia com o objetivo de corrigir esses desequilíbrios. Tudo isso, lembrou, no âmbito do roteiro desenhado pelo Executivo regional há aproximadamente um ano e meio.
Clavijo enfatizou que seu Governo optou desde o início da legislatura pela cooperação institucional e por evitar a confrontação política, uma forma de agir que atribuiu ao conjunto do gabinete e que, segundo destacou, possibilitou avançar em acordos apesar das diferenças entre as formações que o sustentam.
Nesse sentido, destacou o trabalho e a "coragem" do vice-presidente do Governo regional e presidente do PP das Canárias, Manuel Domínguez, por ter sabido se posicionar "do lado dos interesses dos cidadãos das ilhas".
O chefe do Executivo canário destacou que, para aumentar a renda disponível das famílias, não basta promover novos aumentos salariais: é imprescindível, disse, reforçar também a produtividade das empresas. Por isso, defendeu que as remunerações sejam vinculadas à evolução da produtividade e não apenas ao índice de preços ao consumidor (IPC).
Ao mesmo tempo, apontou a responsabilidade das administrações públicas, que, em sua opinião, devem contribuir para melhorar a capacidade econômica das famílias por meio de uma redução da carga fiscal.
Para concluir, Clavijo insistiu que o futuro do arquipélago não deve "esperar", mas ser construído a partir de agora com as decisões que forem tomadas no presente, sublinhando que o rumo das Canárias dependerá das políticas que forem implementadas hoje.