O mercado hipotecário espanhol não só está registrando mais operações do que há um ano, mas também empréstimos de maior quantia. Durante junho, foram constituídas 45.907 hipotecas sobre habitações, um 10,8% a mais do que no mesmo mês de 2025, segundo os dados publicados nesta quarta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).
A segunda cifra permite verificar quanto mudou o financiamento necessário para acessar uma habitação. O valor médio de cada hipoteca alcançou os 178.365 euros, um 6% a mais do que doze meses antes e a quantia mais elevada registrada em toda a série histórica.
O terceiro dado completa a fotografia: as entidades emprestaram 8.188 milhões de euros para hipotecas sobre habitações, um 17,5% a mais em relação ao ano anterior. O dinheiro concedido cresce assim quase sete pontos a mais do que o número de operações, refletindo o aumento da quantia dos empréstimos.
Quase 10.000 euros a mais de hipoteca do que há um ano
O salto do valor médio permite observar melhor a evolução. Os 178.365 euros registrados em junho representam aproximadamente 10.000 euros a mais por hipoteca do que um ano antes. O aumento em relação ao ano anterior atinge 6%.
O dado estabelece ainda um máximo histórico da série do INE. Nunca antes o valor médio de uma hipoteca constituída sobre uma habitação havia superado os 178.000 euros.
O aumento não significa que todos os compradores estejam solicitando exatamente essa quantia nem que todas as habitações tenham encarecido 6%. Trata-se de uma média nacional dos empréstimos registrados durante o mês, condicionada tanto pelo valor dos imóveis financiados quanto pela quantia que cada comprador precisa solicitar ao banco.
O capital emprestado cresce muito mais do que as operações
A diferença entre as três variáveis é especialmente significativa. Enquanto as hipotecas aumentaram 10,8%, seu valor médio avançou 6% e o capital total concedido cresceu 17,5%.
Esse comportamento é matematicamente coerente: se são concedidos mais empréstimos e, além disso, cada um tem em média uma quantia superior, o volume total de financiamento aumenta com maior intensidade. Em junho, alcançou os 8.188 milhões de euros.
A evolução mostra que a força da atividade hipotecária está acompanhada por um aumento das quantias financiadas. O mercado não só movimenta mais operações do que há doze meses, mas também mais dinheiro por cada empréstimo constituído.
259.684 hipotecas durante a primeira metade do ano
O aumento de junho também não constitui um dado isolado. Durante os seis primeiros meses de 2026 foram contabilizadas 259.684 hipotecas sobre habitações, o número mais elevado para um primeiro semestre desde 2010.
O número de operações acumula um crescimento próximo de 7% em relação ao mesmo período do ano anterior. O aumento de junho chega, além disso, após a pequena queda interanual registrada em maio, que havia interrompido 22 meses consecutivos de aumentos.
A evolução do montante é ainda mais intensa. No acumulado de janeiro a junho, a quantia média das hipotecas aumenta 9,8% em relação ao mesmo período de 2025.
Mais montante não significa uma taxa mais alta
Falar de hipotecas de maior montante não deve ser confundido com um encarecimento da taxa aplicada pelos bancos. Em junho, a taxa de juros média das novas hipotecas sobre habitações foi de 2,96%, em comparação com 2,97% de junho de 2025 e 2,98% registrado em maio.
O prazo médio situou-se em 25 anos e a taxa fixa continuou dominando as novas contratações. O 61,7% das hipotecas foi constituído a juros fixos, enquanto os 38,3% restantes utilizaram uma taxa variável.
A paradoxa que deixam os dados é, portanto, clara: o custo percentual das novas hipotecas não aumentou em relação a um ano atrás, mas a quantia que se pede emprestada sim. É o montante do crédito, e não a taxa média aplicada em junho, o que está marcando máximos.
O mercado hipotecário cresce enquanto as compras e vendas desaceleram
A evolução resulta ainda mais chamativa ao compará-la com as operações imobiliárias. Durante o primeiro semestre, vendeu-se 2,6% menos de habitações do que no mesmo período de 2025, enquanto as hipotecas aumentaram cerca de 7%.
Ambas as estatísticas não são diretamente equivalentes nem são registradas necessariamente no mesmo momento. A Estatística de Hipotecas contabiliza os empréstimos inscritos nos registros de propriedade, portanto, existe um desfasamento em relação à data em que se formaliza a compra e venda.
Ainda com essa cautela, a divergência permite observar uma característica do mercado atual: a atividade hipotecária mantém um forte dinamismo mesmo enquanto as compras e vendas perdem um pouco de velocidade. O resultado é um mercado em que se constituem mais empréstimos e por quantias cada vez maiores.
De 168.000 a mais de 178.000 euros em doze meses
A mudança pode ser resumida na evolução do empréstimo médio. Se comparado com junho de 2025, a quantia financiada passou de rondar os 168.000 euros a superar os 178.000, uma diferença próxima a 10.000 euros em apenas doze meses.
Esse aumento explica por que o capital concedido cresce com tanta força. Os bancos não só estão formalizando 10,8% mais hipotecas: cada uma delas implica, em média, um financiamento 6% superior.
Junho deixa assim três cifras que resumem a mudança do mercado hipotecário: 45.907 assinaturas, 178.365 euros de empréstimo médio e 8.188 milhões de euros mobilizados. Mais hipotecas do que há um ano e, sobretudo, hipotecas de maior tamanho.