Os portais imobiliários antecipam uma desaceleração das hipotecas após o aumento de 10,8% em junho

Fotocasa e Idealista preveem uma desaceleração do mercado hipotecário após o aumento de 10,8% em junho e a mudança de cenário de taxas.

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Os portais imobiliários Fotocasa e Idealista preveem uma moderação da atividade hipotecária nos próximos meses, depois que a assinatura de hipotecas sobre habitação registrou em junho um aumento anual de 10,8%, alcançando 45.907 operações, de acordo com os números divulgados nesta quarta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

A diretora de Estudos da Fotocasa, María Matos, destacou que o mercado hipotecário continua mostrando um "elevado dinamismo", embora tenha sublinhado que as estatísticas ainda não refletem completamente o impacto da recente mudança nas condições monetárias e financeiras.

Nessa linha, apontou que uma parte relevante das hipotecas formalizadas em junho responde a processos de compra e financiamento iniciados pelo menos dois meses antes, pelo que o efeito do novo cenário de taxas de juros poderia se tornar visível com maior clareza nas próximas publicações.

Desde a Fotocasa prevêem, portanto, que o mercado hipotecário "vá perdendo velocidade" à medida que as novas condições financeiras forem se incorporando às operações, em um ambiente caracterizado por preços elevados da habitação e uma oferta insuficiente. Matos estima que, após uma fase de forte expansão, o mais provável é avançar para uma certa normalização da atividade, com um comprador mais cauteloso e entidades financeiras com critérios mais rigorosos.

Por outro lado, o diretor geral da idealista/hipotecas, Juan Villén, qualificou de "surpreendente" o intenso dinamismo das hipotecas em contraste com a desaceleração do volume de compra e venda de habitação. Em sua opinião, essa evolução responde principalmente a dois fatores: o aumento do peso dos compradores que requerem financiamento para acessar uma habitação e o maior número de operações de mudança de hipoteca diante da alta das taxas.

Villén detalhou que algumas entidades financeiras estão procedendo a cancelar os empréstimos anteriores e a constituir outros novos, o que "infla a cifra total" de hipotecas registradas. Para o curto prazo, idealista prevê que persista uma maior contenção no número de hipotecas destinadas à aquisição de habitação, enquanto continuará aumentando o volume de consumidores que modificam seu empréstimo para se protegerem contra o encarecimento das taxas de juros.

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