O mercado de grande consumo na Espanha mantém a trajetória de crescimento dos meses anteriores e anota no segundo trimestre de 2026 um avanço de 5% em valor e de 2,5% em volume, de acordo com os números do Observatório Full View do Grande Consumo da NIQ.
O estudo atribui esse comportamento, sobretudo, ao aumento da frequência de compra, responsável por 75% do crescimento total. Os lares vão mais vezes aos pontos de venda, com 10% mais visitas desde o início do ano, embora encham menos o carrinho, com 6,7% menos unidades por ato de compra, o que evidencia um consumidor mais vigilante com seu orçamento.
Segundo o relatório, o preço médio aumenta 2,4%, abaixo dos 3,2% registrados um ano antes, uma moderação que se percebe claramente nos produtos frescos, onde vários meses encadeiam reduções interanuais.
Nesse contexto, a marca de distribuição conserva níveis recorde de penetração, com uma quota de 46,8% em valor. No entanto, seu avanço se freia no segundo trimestre: pela primeira vez, em maio não soma novos pontos de quota.
O Mundial de futebol também influenciou a evolução do consumo. Embora a competição tenha começado em 11 de junho, o impacto nas compras mal se faz notar até a semana 26, que marca o fechamento do período analisado.
O verdadeiro impulso chega com as semifinais, nas semanas 28 e 29 do ano, quando categorias como lanches, bebidas e produtos de conveniência registram notáveis aumentos. Nessas duas semanas, "as isotônicas cresceram mais de 18%, as bases de pizza superaram 27% e o sushi refrigerado avançou 16%".
Em paralelo, observam-se subidas destacadas em gelo, cervejas, sorvetes e batatas congeladas. O torneio atua como um revulsivo pontual do gasto, especialmente naqueles segmentos vinculados à socialização e ao lazer em casa.
Ao mesmo tempo, o grande consumo eleva a pressão promocional durante o segundo trimestre, tanto nas marcas de fabricante quanto na marca de distribuição, embora com um retorno menor.
Em concreto, a marca branca aumenta sua pressão até 8%, mas cede dois pontos de eficiência, enquanto as marcas de fabricante mantêm seu nível em 23% e também sofrem uma queda na eficácia das promoções. No acumulado semestral, os dados mostram ainda um freio claro da inovação: o número de novos lançamentos reduz-se em 14% em relação ao ano anterior, com quedas mais acentuadas em alimentos secos e em bebidas não alcoólicas.
No que diz respeito aos canais de venda, o 'online' continua avançando a dois dígitos em relação ao ano anterior, tanto em valor (+15,9%) quanto em volume (+12,3%). Após ele, os supermercados de menor tamanho se posicionam como o formato mais dinâmico, com um aumento de 10,7% nos gastos e de 9,9% na demanda.
Por outro lado, o canal Horeca, que vinha arrastando fraqueza com um retrocesso de 2% nos gastos, começa a mostrar uma melhora a curto prazo. Embora as bebidas ainda registrem quedas em valor nesse ambiente, a evolução mês a mês aponta para uma recuperação gradual, com aumentos de 1,5% e de 0,5% em maio e junho, respectivamente, o que antecipa um segundo semestre mais favorável para o consumo fora de casa.