A suspensão do encontro entre o Rayo Vallecano e o Athletic Club deste sábado, 10 de outubro, abre um cenário de possíveis sanções para o conjunto madrilenho, depois que as protestas de parte da torcida contra seu presidente, Raúl Martín Presa, resultaram no lançamento de objetos ao campo e obrigaram o árbitro a interromper a partida.
O Rayo se expõe a sanções econômicas e disciplinares, embora a gravidade das medidas dependa do que for registrado na ata arbitral, das circunstâncias da suspensão e da responsabilidade que os órgãos competentes atribuam ao clube.
Multas econômicas e possível fechamento de Vallecas
O Código Disciplinar da Real Federação Espanhola de Futebol contempla sanções por incidentes protagonizados por espectadores, entre eles o lançamento de objetos ao campo. A gravidade da infração depende de fatores como o risco gerado, a reiteração dos incidentes e suas consequências sobre o desenvolvimento do encontro.
O fechamento parcial ou total do estádio de Vallecas é uma das medidas que poderiam ser estudadas, embora sua aplicação não seja automática e exija uma resolução disciplinar.
A situação é especialmente delicada para o Rayo após os problemas que afetaram seu estádio nos últimos meses. Uma eventual clausura significaria uma nova dificuldade para disputar seus encontros como mandante.
O Rayo pode perder a partida por 0-3?
A possibilidade de que o Athletic obtenha uma vitória administrativa é uma das consequências mais graves que poderiam derivar de uma suspensão definitiva, mas o lançamento de objetos não implica por si só que o Rayo perca o encontro.
Para chegar a esse cenário, teria que ser determinado que concorrem as circunstâncias previstas na normativa disciplinar para atribuir ao clube local a responsabilidade de uma suspensão que impeça disputar ou finalizar a partida.
Portanto, não se pode dar como certo um resultado de 0-3 sem conhecer o conteúdo da ata arbitral e a resolução do órgão competente.
É possível retomar o encontro em outra data?
Outra possibilidade é que as autoridades esportivas concordem com a continuação da partida em uma data posterior, desde que as circunstâncias da suspensão e a normativa aplicável permitam essa solução.
A reabertura e as possíveis sanções disciplinares são questões diferentes, por isso o fato de que o encontro seja disputado não excluiria necessariamente uma multa ou uma medida contra o estádio.
O precedente do Atlético de Madrid-Real Madrid de setembro de 2024 demonstra que os lançamentos de objetos podem provocar interrupções e processos disciplinares sem que isso implique necessariamente uma derrota administrativa.
A importância da ata arbitral
A decisão dependerá em boa medida do relatório do árbitro, que deverá refletir os incidentes, os objetos lançados, as advertências realizadas e as circunstâncias que levaram a interromper o encontro.
A partir dessa documentação, os órgãos disciplinares poderão examinar se cabe impor sanções ao Rayo e quais medidas são proporcionais.
Por enquanto, nenhuma dessas consequências deve ser apresentada como uma sanção já imposta. Sua aplicação dependerá da resolução oficial que for adotada sobre os incidentes registrados em Vallecas.
O protocolo arbitral diante do lançamento de objetos
A RFEF estabelece em seu protocolo de atuação que o árbitro deve avaliar a periculosidade dos objetos, seu número, o local onde caem e se atingem ou provocam danos a algum dos participantes. A normativa distingue três níveis de incidentes, desde objetos de baixa periculosidade que não causam danos até aqueles que colocam em risco a integridade física.
Em Vallecas, o lançamento de aviões de papel e bolas de plástico começou por volta do minuto 13 e provocou uma primeira interrupção de cerca de dez minutos. Posteriormente, novos lançamentos obrigaram o árbitro José María Sánchez Martínez a enviar os jogadores para os vestiários.
O precedente do Atlético-Real Madrid
Um dos antecedentes mais recentes ocorreu em setembro de 2024, quando o dérbi entre Atlético de Madrid e Real Madrid teve que ser interrompido pelo lançamento de objetos da arquibancada do Metropolitano.
Nessa ocasião, o Comitê de Disciplina da RFEF impôs inicialmente o fechamento parcial do estádio durante três partidas, após examinar a ata arbitral e os incidentes registrados. O encontro pôde ser reaberto e não foi resolvido por meio de uma derrota administrativa.
A diferença com o que aconteceu em Vallecas dependerá de se a interrupção acabar sendo definitiva e de como os fatos serão qualificados. A suspensão da partida não determina por si só a sanção, que deverá ser resolvida pelo procedimento correspondente.