A Assembleia Geral da ONU aprova com 152 votos a participação palestina após o veto dos EUA

A ONU aprova com 152 votos uma resolução que obriga os EUA a permitir a intervenção telemática de Mahmud Abbas diante da Assembleia Geral.

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A Assembleia Geral das Nações Unidas deu nesta quinta-feira seu aval a uma resolução apoiada por 152 Estados que insta os Estados Unidos a revogar sua decisão de bloquear a participação palestina em seu octogésimo primeiro período de sessões, ao entender que tal medida contraria o Acordo sobre a Sede. Graças a esta resolução, o presidente palestino, Mahmud Abbas, poderá se dirigir à organização por meio de uma transmissão televisiva na data e hora já fixadas.

O resultado da votação reflete um amplo apoio à presença da Palestina nos trabalhos da Assembleia Geral, apesar das limitações impostas pelos Estados Unidos, país anfitrião da sede das Nações Unidas em Nova York. Apenas três Estados se posicionaram contra a iniciativa: os próprios Estados Unidos, Israel e Paraguai; enquanto que Colômbia, Panamá, Honduras e Peru optaram por se abster.

A resolução aprovada exige que Washington anule de forma imediata sua decisão de impedir a participação da delegação palestina nas sessões do novo período da Assembleia Geral. Os países que apoiaram o texto consideram que as restrições americanas violam o Acordo sobre a Sede assinado entre as Nações Unidas e os Estados Unidos.

Esse acordo fixa as obrigações do país anfitrião para assegurar o acesso à sede da organização. Entre essas obrigações está a de facilitar a entrada e permanência das delegações diplomáticas, dos Estados membros e dos observadores, com o objetivo de que possam participar das reuniões da Assembleia Geral sem impedimentos.

Abbas intervirá de forma telemática

O Ministério das Relações Exteriores palestino celebrou a aprovação da resolução e expressou seu agradecimento aos países que impulsionaram o texto, a quem qualificou de "irmãos e amigos", assim como aos Estados que votaram a favor.

As autoridades palestinas enfatizaram que a decisão da Assembleia Geral evitará qualquer tentativa de Washington de restringir a participação da Palestina nas cúpulas de alto nível, assim como no restante dos trabalhos da sessão, o que permitirá à delegação palestina expor sua posição diante das Nações Unidas, apesar de não poder estar presente fisicamente.

Como alternativa, o discurso de Mahmud Abbas será transmitido por meio de uma transmissão televisiva, respeitando o calendário previsto para sua intervenção, segundo confirmou o próprio Ministério em uma publicação nas redes sociais.

"A adoção desta decisão representa uma ruptura dos esforços para impedir a participação da Palestina nos trabalhos do Conselho de Segurança de alto nível e da Assembleia Geral (...) A voz do povo palestino chegará às Nações Unidas" diz a nota.

Continuidade da voz palestina nas Nações Unidas

O departamento palestino de Relações Exteriores sublinhou que a votação que deu luz verde à intervenção de Abbas diante da Assembleia Geral confirma a continuidade da voz palestina no seio da ONU, freando as manobras destinadas a relegar a Palestina e "sua causa" dos trabalhos da organização.

As autoridades palestinas reiteraram igualmente seu compromisso de continuar defendendo os interesses de sua população e de trabalhar por sua proteção. Segundo o mesmo comunicado, essa tarefa passa por impulsionar uma saída para a questão palestina através de instrumentos políticos, jurídicos e diplomáticos.

O Ministério também destacou que continuará agindo frente à ocupação, as políticas que qualifica de coloniais, os crimes atribuídos aos colonos israelenses e outras práticas que —ressaltou— minam o direito do povo palestino à autodeterminação.

O objetivo final, concluiu no comunicado, é a criação de um Estado da Palestina independente, com Jerusalém como capital.

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