Ampliação | Eleva-se a 20 o número de mortos após o desabamento de um edifício com deslocados na cidade de Gaza

Sobe para 20 o número de mortos pelo desabamento do "Edifício da felicidade" em Gaza, onde viviam deslocados, e teme-se que o balanço aumente.

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O número de falecidos pelo desabamento nesta quarta-feira de um edifício onde se alojavam pessoas deslocadas, que desabou sobre as tendas instaladas na rua contígua na cidade de Gaza, no norte da Faixa, aumentou para 20, segundo confirmou o corpo de Proteção Civil gazatense.

As equipes de emergência localizaram os corpos sem vida de 20 pessoas, entre elas oito menores, e conseguiram resgatar com vida entre os destroços mais de uma vintena de afetados, embora as autoridades alertam que o número pode aumentar conforme prosseguirem as tarefas de busca e resgate.

Proteção Civil de Gaza, citada pelo jornal "Filastin", avisou que mais de 2.000 blocos residenciais no enclave palestino estão "prestes" a colapsar e pediu para substituir as tendas por habitações "móveis" para oferecer um abrigo mais seguro à população deslocada.

A este balanço somam-se pelo menos 25 feridos, de acordo com os dados divulgados pouco antes pelo Ministério da Saúde gazatense em um comunicado no qual também destacou que ainda há dezenas de desaparecidos na área do sinistro.

O serviço de Proteção Civil, que qualificou o ocorrido como um "doloroso e trágico incidente", explicou que dezenas de deslocados se encontravam no imóvel após "serem forçados a viver lá devido à agressão israelense". "Protegeram seus filhos entre os muros e colunas rachadas", acrescentou, em alusão aos danos prévios sofridos pelo edifício em decorrência dos ataques de Israel.

O bloco, de seis andares e conhecido como "Edifício da felicidade", abrigava "cerca de uma centena de pessoas" que residiam em "dezenas de tendas". "A metade delas eram crianças inocentes com seus pais e mães. Agora estão sob os escombros", indicou o organismo em um comunicado divulgado nas redes sociais.

"Esta tragédia nos lembra mais uma vez os milhares de mártires que perderam a vida como consequência dos ataques israelenses contra edifícios e habitações, assim como os milhares que permanecem desaparecidos sob os escombros, sem possibilidade de serem resgatados devido à intransigência da ocupação e à sua negativa em permitir a entrada da equipe, das máquinas, das escavadoras e das pás mecânicas necessárias para enfrentar esses trágicos eventos", sublinhou a Proteção Civil.

Na mesma linha, o organismo alertou sobre o risco de novos colapsos em outros imóveis danificados pelos bombardeios israelenses e insistiu na urgência de autorizar a entrada de maquinário pesado e equipamento de resgate, especialmente diante dos "desastres" que poderiam ocorrer com a chegada do inverno e o agravamento do tempo.

Por outro lado, o escritório de imprensa das autoridades gazenses apontou que o desabamento "aprofundou a catástrofe humanitária" na Faixa de Gaza. "Fazemos totalmente responsáveis a ocupação e a comunidade internacional", afirmou, acusando ainda Israel de "obstruir de forma deliberada as operações de resgate" ao bloquear a entrada do material necessário.

"As vítimas desta tragédia se somam aos mais de 8.500 desaparecidos sob os escombros em várias governadorias da Faixa de Gaza, sendo urgente uma intervenção para resgatá-las", acrescentou o escritório, que reiterou o perigo que representam os "milhares" de edifícios danificados pela ofensiva israelense desencadeada após os ataques de 7 de outubro de 2023.

Hamás responsabiliza Israel pelo desabamento

HAMÁS FALA DE "CONSEQUÊNCIA" DA "GUERRA GENOCIDA"

O movimento islamista Hamás assegurou que "a tragédia humanitária na cidade de Gaza pelo desabamento do 'Edifício da felicidade' (...) representa um novo capítulo das catastróficas repercussões humanitárias da guerra genocida travada pela ocupação criminosa contra o povo na Faixa de Gaza".

"Responsabilizamos a ocupação por este desastre, que constitui uma prolongação direta da brutal guerra de extermínio na Faixa de Gaza", manifestou o grupo, conforme registrado pelo jornal "Filastin".

Em seu comunicado, Hamás ressaltou que "os crimes da ocupação não se limitaram a bombardear civis, destruir seus lares e perpetrar massacres contra eles", sustentando que "suas repercussões persistem hoje com o desabamento de edifícios danificados e em ruínas onde os cidadãos foram obrigados a se refugiar, dada a destruição generalizada de moradias e bairros residenciais".

"A grave escassez de maquinário para a retirada de escombros e de equipamentos de resgate necessários para buscar as dezenas de pessoas desaparecidas sob o edifício ameaça provocar a perda de mais vidas de civis inocentes à medida que as horas críticas passam", advertiu a formação.

No contexto, o Hamás reivindicou "uma ação internacional urgente" que permita o envio de maquinaria pesada e equipamentos de resgate para o interior da Faixa, para que os serviços de emergência "cheguem até os presos e resgatem aqueles que ainda permanecem vivos".

O grupo também pediu aos mediadores do acordo alcançado em outubro de 2025 com Israel para aplicar a proposta dos Estados Unidos para Gaza, entre eles Washington, que "assumam suas responsabilidades" e "trabalhem para eliminar as restrições que impedem a entrada de equipamentos de resgate e maquinaria necessária".

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