Altos representantes do Irã, Arábia Saudita, Turquia e Paquistão acordaram nesta segunda-feira manter um canal de diálogo para "fortalecer a cooperação" em matéria de segurança, com o objetivo de reduzir a tensão regional em pleno 'impasse' da guerra lançada pelos Estados Unidos e Israel em fevereiro passado.
Segundo um comunicado conjunto divulgado após o encontro, "os participantes acordaram continuar as conversas para fortalecer a cooperação entre os quatro países da região, inclusive no âmbito da paz e da segurança na região".
A citação, realizada em Teerã, foi a primeira reunião entre o Irã e o denominado Pacto de Meca, a aliança defensiva que integra Paquistão, Arábia Saudita e Turquia. Por parte do país anfitrião estiveram presentes o presidente, Masud Pezeshkian, e o secretário do Conselho de Segurança Nacional, Mohsen Rezaei.
Durante sua intervenção, o presidente iraniano elogiou a cooperação entre países vizinhos e ressaltou que a República Islâmica "está disposta a tomar medidas para aprofundar" essa colaboração, com o fim de "resolver as diferenças e aproveitar as capacidades comuns dos países islâmicos, e apoiar qualquer entendimento que conduza ao fortalecimento da unidade, da coesão, da segurança e do desenvolvimento da região".
Pezeshkian insistiu na importância da "unidade e da coesão do mundo islâmico" e criticou os "atos violentos e crimes generalizados" de Israel e Estados Unidos na região. "Essas ações carecem de justificação legal, humana ou racional, e tornam mais evidente do que nunca a necessidade de que os países islâmicos adotem uma abordagem comum para enfrentar a agressão e a insegurança", afirmou.
Nesta linha, instou os países muçulmanos a alcançar "um entendimento comum de suas metas, traçar uma visão clara e prosseguir a implementação dos acordos com compromisso mútuo até alcançar os resultados esperados", reclamando "resultados tangíveis e gerar uma verdadeira transformação nas relações regionais".
Frente à ofensiva militar, o presidente sublinhou que "a unidade e a coesão interna" foram reforçadas e que cresceu a "solidariedade" nacional. "O povo do nosso país, apesar das perdas e das dificuldades sofridas, defendeu sua terra com força e firmeza. A ideia de que se possa obrigar a nação iraniana a se render é falsa e infundada", remachou.
Pezeshkian advertiu ainda que Washington e Tel Aviv tentam "criar uma divisão entre as nações muçulmanas e enfraquecer gradualmente os principais países islâmicos", pelo que defendeu intensificar a cooperação e o apoio mútuo entre eles.
"Ameaças" dos Estados Unidos e papel regional
Por sua parte, Mohsen Rezaei sustentou que a assistência de altos cargos desses países a Teerã demonstra que as pressões de Washington não estão alcançando seu objetivo. A seu ver, a presença dessas delegações "demonstra que as ameaças americanas não têm muita influência nos países do mundo".
"Altos cargos da Turquia, Paquistão e Arábia Saudita acreditam que a solução para os problemas da região está na cooperação entre os quatro países", apontou o responsável iraniano, que enfatizou que os delegados "chegaram à conclusão de que a segurança na Ásia Ocidental deve ser alcançada de dentro da região e que deve-se evitar qualquer interferência estrangeira".
Na reunião participaram, por parte da Arábia Saudita, o ministro da Defesa, Jalid bin Salman; em representação do Paquistão, o comandante-em-chefe das Forças Armadas, Asim Munir; e, pela Turquia, o chefe de Inteligência, Ibrahim Kalin.
Esta primeira iniciativa do grupo de La Meca com participação do Irã é interpretada como um passo para aliviar as tensões regionais. No caso de Riad, representa ainda a primeira visita de um alto cargo ao país persa desde que eclodiu a guerra lançada por Donald Trump e Benjamin Netanyahu.