Os principais chefes de Estado e referências políticas da América Latina transmitiram suas felicitações a Luiz Inácio Lula da Silva como presidente eleito do Brasil, após vencer no segundo turno das eleições o candidato do Partido Liberal (PL) Flávio Bolsonaro. Confirmado o escrutínio, que torna Lula o primeiro aspirante desde o retorno da democracia brasileira a reverter uma desvantagem inicial do primeiro turno, os dirigentes da região sublinharam a solidez institucional da consulta às urnas e a intenção de avançar em uma cooperação bilateral mais estreita.
Do México, a presidenta, Claudia Sheinbaum, reagiu assegurando que "ganhou o povo do Brasil". Na mesma linha se expressou o mandatário de Cuba, Miguel Díaz-Canel, que descreveu o resultado como uma "vitória histórica que garante a continuidade do caminho da paz, soberania e justiça social".
Por sua parte, o Governo da Venezuela divulgou um comunicado no qual celebra a "contundente demonstração de participação cívica e democrática", reiterando sua disposição em preservar os laços de vizinhança e a solidariedade latino-americana.
O presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, destacou que ambos os países compartilham "uma história e desafios comuns", comprometendo-se a gerar novas oportunidades conjuntas. Do Uruguai, Yamandú Orsi contou que manteve uma conversa telefônica direta com o mandatário eleito, a quem definiu como "um amigo", para transmitir seus parabéns pelo que descreveu como uma "festa democrática".
A aposta por relançar uma agenda regional também vertebrou as mensagens do restante dos líderes. O presidente do Equador, Daniel Noboa, insistiu que a região enfrenta "inimigos comuns e desafios compartilhados", defendendo as vantagens de agir de forma coordenada.
Em sintonia, o presidente do Paraguai, Santiago Peña, chamou a reforçar uma "agenda comum de integração e desenvolvimento", enquanto o mandatário do Panamá, José Raúl Mulino, expressou sua vontade de continuar colaborando em benefício de ambas as nações.
Da mesma forma, o presidente da República Dominicana, Luis Abinader, manifestou sua aspiração de que neste novo quadriênio se consolide "uma América Latina mais integrada e próspera". A dirigente peruana, Keiko Fujimori, uniu-se às manifestações de apoio regional, ratificando a importância de fortalecer a aliança estratégica bilateral e de priorizar "o desenvolvimento sustentável da Amazônia" diante da proximidade do bicentenário de suas relações diplomáticas.
O presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella, também reconheceu a vitória de Lula e apontou que, apesar de suas "grandes e profundas diferenças políticas e ideológicas", ambos concordam em "algo fundamental". "O Brasil e a Colômbia precisam um do outro", acrescentou.
"Na campanha presidencial colombiana, o presidente Lula apoiou abertamente Iván Cepeda e eu ganhei. Na campanha brasileira, apoiei Bolsonaro e Lula ganhou. Nem Lula decide pelos colombianos nem eu decido pelos brasileiros. ¡Decide o povo! E quando o povo se pronuncia nas urnas, sua vontade é respeitada porque é sagrada. ¡É disso que se trata a democracia!", argumentou.
"Nenhuma consideração pode estar acima dos interesses de nossas nações. Colômbia e Brasil são países irmãos, com enormes desafios e oportunidades compartilhadas", disse. "Temos muito a fazer e trabalhar em benefício de nossos povos. O respeito mútuo, a soberania e a cooperação devem marcar nossas relações, assim como a luta contra o narcoterrorismo e a mineração ilegal, a proteção da Amazônia e o bem-estar de nossos cidadãos", concluiu.