Os hutis comunicaram esta quarta-feira que conseguiram abater um avião de combate do Exército da Arábia Saudita no contexto dos confrontos registrados nos últimos dias, após a ofensiva iniciada pelos rebeldes em 3 de setembro no oeste do Iémen, que lhes permitiu assumir o controle de toda a faixa costeira iemenita no mar Vermelho.
O porta-voz de operações militares dos hutis, Yahya Sari, indicou em uma nota divulgada nas redes sociais que as forças sauditas realizaram 450 ataques aéreos contra suas posições durante a última semana. Precisou ainda que seus sistemas de defesa antiaérea conseguiram atingir uma das aeronaves enquanto participava desses bombardeios.
"As Forças Armadas iemenitas, com a ajuda de Deus, puderam derrubar um caça F-15 saudita quando realizava operações hostis em apoio às suas ações militares nos céus sobre a província de Marib", disse, antes de assegurar que a aeronave foi atingida por "um míssil terra-ar de fabricação local".
Segundo Sari, após este abate os rebeldes dispararam mísseis contra outros dois caças sauditas enviados à área para tentar localizar os destroços do avião. Ao mesmo tempo, sublinhou que os hutis "continuarão protegendo o espaço aéreo do país contra qualquer agressão ou violação", enquanto as autoridades de Riad não emitiram por enquanto nenhuma reação.
Mais tarde, o porta-voz reivindicou "duas operações qualitativas" contra uma instalação petrolífera da Aramco em Yanbu, contra a qual o grupo lançou "dezenas de mísseis e drones", e contra a base aérea de Jamis Mushait. Afirmou que ambos os ataques atingiram seus objetivos, embora as autoridades sauditas também não tenham comentado essas alegações.
"As Forças Armadas iemenitas continuarão defendendo nosso país e nosso povo, e ensinarão ao criminoso inimigo saudita lições que jamais esquecerão", destacou o porta-voz de operações militares dos hutis, que prometeu que o grupo "continuará com suas operações militares nas profundezas do território saudita".
Nessa linha, ressaltou que os hutis continuarão atingindo alvos militares na Arábia Saudita e responderão "à escalada com escalada" até que "termine a agressão (contra o Iémen) e se levante o bloqueio imposto (pela coalizão internacional liderada por Riad) contra o país".
A ofensiva hutí se desenvolve em áreas das províncias de Taiz e Hodeida e, desde seu início, permitiu aos rebeldes alcançar avanços significativos no terreno, incluindo a tomada da cidade de Moca e dos arredores do estreito de Bab el Mandeb, o que representa um duro revés para o Governo reconhecido internacionalmente e apoiado pela Arábia Saudita.
Esses progressos reforçam a capacidade dos insurgentes de influenciar o tráfego marítimo em Bab el Mandeb —algo que já prometeram que não farão—, um passo cuja relevância cresceu após as perturbações no trânsito pelo estreito de Ormuz em decorrência da ofensiva lançada em 28 de fevereiro pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã.
A evolução do conflito ameaça fazer saltar pelos ares a trégua pactuada em 2022, após anos de guerra e apesar dos esforços de mediação das Nações Unidas para fechar um acordo de paz que ponha fim à contenda iniciada em 2014, que mergulhou o Iémen em uma das crises mais graves do mundo.