O presidente russo, Vladimir Putin, exerceu nesta sexta-feira seu direito de voto através da internet nas eleições legislativas que estão sendo realizadas no país euroasiático. A data com as urnas se prolongará até domingo e inclui também os territórios ucranianos ocupados pela Rússia desde o início da invasão ordenada pelo próprio mandatário em fevereiro de 2022.
"Não cometerão um erro", manifestou Putin após completar o procedimento digital por meio do sistema de Voto Eletrônico Remoto, segundo informou o diário russo 'Izvestia'. O chefe do Kremlin utiliza essa modalidade desde 2021, incluindo a eleição presidencial na qual renovou seu mandato em 2024.
As eleições para renovar a Duma Estatal se desenvolvem entre esta sexta-feira e domingo, com os colégios eleitorais operativos das 8h00 às 20h00 (hora local). Foram registrados mais de 4.400 candidatos, com Rússia Unida, a formação de Putin, como a que apresenta o maior número de candidatos, em torno de 400.
A votação ocorre em pleno conflito na Ucrânia e sob as protestas de Kiev pela inclusão no censo de residentes em áreas sob ocupação russa. A isso se somam as críticas de países ocidentais pela ausência de garantias democráticas e de alternativas reais nas cédulas, depois que o partido opositor Yabloko ficou fora da disputa por suas posições contrárias à guerra.
O Serviço de Inteligência Exterior da Rússia (SVR) acusou no dia 31 de agosto a União Europeia (UE) e "países europeus destacados" de impulsionar uma "estratégia em grande escala" destinada a "desestabilizar" a situação interna antes das eleições legislativas, nas quais são distribuídos os 450 assentos da Duma Estatal.
Nessa mesma linha, Putin responsabilizou nesta sexta-feira a Ucrânia por tentar frear a realização das eleições. "Os líderes ucranianos não têm pressa em realizar eleições, mas também estão tentando nos obstruir", afirmou durante uma reunião da Comissão Militar Industrial russa.
O presidente aproveitou sua intervenção para intensificar seus ataques verbais contra o Governo ucraniano, que qualificou de "punhado de corruptos". "Como pode o atual regime da Ucrânia defender a democracia quando há muito degenerou em uma ditadura? (...) O poder foi usurpado por um punhado de corruptos para se manter no poder sem eleições e para criar ainda mais as condições para roubar seu próprio povo e enriquecer-se com o dinheiro de seus patrocinadores, inclusive da Europa", acrescentou.